terça-feira, fevereiro 20, 2007




qual é a Elisa?

POIS
O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão.

Assim tudo ficou até que não.

Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções

E a elisa passa rindo dentadura aos clarões.


do o'neill :)))))))))))))))))))))


HÁ CABRÕES INCLASSIFICÁVEIS...


O copy/paste pode ser uma arte e a citação a mais larga forma de homenagem. Dou a minha parte à segunda.



Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.



Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

ALEXANDRE O'NEILL

sábado, fevereiro 17, 2007



O género epistolar é empreendimento anacrónico. Ainda assim há uma criatura que insiste em enviar-me tais idiotices. Aqui vai uma para ilustração. Esqueceu-se que carta sem caligrafia é coisa fria e insultuosa. Perdoe-se.

domingo, fevereiro 11, 2007



já fiz o filho e plantei uma árvore. para acabar o ditame palerma, falta que o filho escreva um livro com a pasta de celuose da árvore que plantei.


muita gente que conheço tem um tumor: chamam-lhe cérebro...

quinta-feira, fevereiro 08, 2007




um bêbebo inteligente abastece-se no lidl. gasta pouco, consegue o mesmo efeito e ainda fica com uns trocos para ligar para casa à mulher, dizendo que a ama.

terça-feira, fevereiro 06, 2007



Mede-me a febre, olha-me a goela
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
Se tu sonhasses como me sinto
Já vejo a morte, nunca te minto
Já vejo o inferno, chamas, diabos
Anjos estranhos, cornos e rabos
Vejo demónios, nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o vento, a cirandar
Nem são as vozes, que vêm do mar
Não é o pingo de uma torneira
Põe-me a santinha, à cabeceira
Compõe-me a colcha, fala ao prior
Pousa o Jesus, no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada
Faz-me tisana e pão-de-ló
Não te levantes, que fico só
Aqui sozinho, a apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer.

António Lobo Antunes