domingo, agosto 27, 2006



a contra fogo

Quando se gosta de alguém é muito fácil tecer-lhe loas avulsas, fazer-lhe retratos apologéticos, incensar suas virtudes e capacidades. Disso não vou fazer espécie por não quereres nem fazeres necessidade. Mas não esqueço que prometeste vir à minha profissão dialogar sobre a forma como militas a profissão dos teus sonhos e propósitos no denodo dos entusiastas inquebráveis.
Isto não vem com nada mas podia vir com um prémio que eu sinceramente nunca pensei que te fosse justamente dado pois isto de concursos é coisa costumeira de influências e conluios.
O supremo criador não me deu a conveniente capacidade de ler almas. Que eu ao menos me delas saiba abeirar não as lendo mas olhando no embevecimento dos devotos. Falta emoldurar a parede com aquela tua imagem prometida a fazer companhia a mais dois dilectos que já cá tenho. Há quem tenha o coração ao pé da boca. Tu adiantaste-te e fizeste conformidade dos dois órgãos num achaque e enfermidade não física mas de desarranjo espiritual de temperamento. Deve ser por isso que é tão fácil gostar de ti. És feito dos sonhos e não lerás isto que andarás metido em realizá-los, assim inquieto ser calmo que quer erguer alto onde os homens são, glosando eu o Saramago que glosava o Ricardo Reis.
E chega de lamechice ou não vá um nosso bem conhecido funcionário judicial, o maior dos desmitificadores, urdir imediato comentário tão cartesiano como certeiro.
:)