sexta-feira, novembro 24, 2006



há gente que não aguenta rir-se de si própria.



retrato do etílico palavroso

Olival é uma criatura frustrada. Homem limpo advindo a bem criado e amigo de honra seriam as melhores e mais necessárias partes. Resultou gente de não grande pensamento senão de artificioso palavreado. Com jogos de palavras e sentenças abstrusas dilui a vida em desenganos contumazes. A desordem dos afectos a que se faz afeito, o não fiar em nada, o afiar de língua de responsabilidade limitada, a inquietação permanente, a criatividade mal dirigida, os meneios palavrosos virtuais, o queixume que arrisca, os amores que consomem, a honra de ocasião, a saúde perigada e o que mais é, a consciência em chaga. Em verdade, bem mais que de tais males revestido, justamente se obrigaria a normal santa vida: a graça de ter graça, a singeleza do juízo sano, a amizade da boa lei e a conservação do seu juízo. Mas os maus costumes impelem o vício que nele habita porque as demasias são imutáveis de seu natural e potenciam a desordem bêbeda da mente ou, por esclarecedor exemplo prosaico, fazer de ordinário, acto mictório nas próprias…botas.

domingo, novembro 19, 2006



Amor e chantagem levam ao desespero amante de fotografia.

José Z, de profissão desconhecida, iniciou-se já com bastante idade nos prazeres do corpo numa casa de massagens na Damaia. Leu o anúncio num jornal, telefonou a marcar, apareceu à hora combinada, conheceu Sabrina Vanessa – e ficou cliente. Ela não era bem massagista e ele também não ia lá só para ser massajado. Quase todos os dias Z ia à casa de massagens. Passou a entregar-se à Sabrina cada vez com maior frequência. Pagava-lhe de todas as vezes cada vez mais, derivado ao estar contente pelo “serviço”, mais do que ela cobrava habitualmente à clientela geralmente vinda dos bairros problemáticos dos arredores da capital. Estava longe de imaginar que os lençóis de higiene suspeita iriam tornar-se num pesado pesadelo...
Num dia, telefonou à massagista e ela, em vez de o receber na casa de massagens, como sempre fizera, aceitou atendê-lo daí a umas horas num sótão no Casal de S. Brás, Amadora.
Sabrina, então com 54 anos, omitira-lhe que era amantizada e mãe de vários filhos como um rapaz mestiço de 18 anos e uma menina deficiente de sete, por exemplos – e escondeu-lhe que tanto ela como o amante, Jacinto Paixão, já tinham prestado contas à Justiça por burlas.
Estavam os dois nus quando o amante, fotógrafo amador e habitual participante em concursos do BES photo e FNAC, duma porta entreaberta fotografou a cena. Z viu Paixão de máquina fotográfica em punho e pensou logo em utilizar as fotografias num site de Internet da sua preferência– mas tinha sido apanhado na cama com uma mulher . Ficou apavorado até porque a máquina era digital e também era apaixonado por fotografia desde os tempos em que fotografava caracóis até agora que já faz arte. Pior se sentiu quando o outro lhe propôs um negócio sujo: as fotos comprometedoras seriam divulgadas num outro site, 1000 imagens, se não pagasse imediatamente mil euros.
Z, que se deixara seduzir por uma autêntica prostituta, não sabia se era melhor perder o dinheiro para uma playstation e uma panela para o carro ou arrostar com a vergonha de ver as fotos naquele site: contar à família não era importante. Preferia perder o dinheiro – mas já percebera que a chantagem nunca mais teria fim: a cada pagamento seguia-se outro e mais outro. Resolveu contar tudo destroçado e apresentou queixa à Polícia. A massagista e o fotógrafo foram detidos no dia seguinte. Negaram tudo. Mas contra eles havia belas provas da chantagem. A polícia encontrou no apartamento do casal chantagista as fotos da sessão amorosa que foram entretanto misteriosamente desaparecidas e podem vir a ser publicadas brevemente na Internet.


Esta experiência é também um aviso para os perigos de sites de fotografias e até blogs pois podem levar a fazer fotografia de sexo muito comprometedoras e trazer infelicidade.

segunda-feira, novembro 13, 2006



História de F

F é um mouro empedernido, um marroquino com pedras em órgão na cavidade estomáquica. Foi de necessidade que um físico moderno lhe estilhaçasse os calhaus com práticas moderníssimas e, na culminância da operação, o que o mouro via eram umas protoberâncias mamárias espreitando desafiantes de um decote branco e…espanhol. Ora, é honra suprema ter de presente mamas de castela em tão azarada contenta com pedregulhos imersos no corpanzil daí que se reconheça lenitivo na observação miraculosa da fofuras penduradas da enfermeira provinda da terra de Cervantes. Na mouquidão aos dizeres do médico, F via confortados os espíritos pelo incitamento para Vénus que a ditosa visão exercia com proficiência. Pode pois perguntar-se se a sorte melhor terá empertigado o apêndice procriativo nos manuseamentos das chagas dos membros ocultos, e em abrir inchações maduras, que a espanhola ia manejando brandamente com desvelo interessado para ela e interessante para o nosso mouro. É que do F tudo é de esperar e nada de temer: abrandar quenturas sem fluxo da natureza foi sua especial factura pois assim consta do relato que fontes orais e escritas deram ao conhecimento deste escriba.

sexta-feira, novembro 10, 2006



Outra história de arrepelar os cabelos

João de Figueiredo, de mais de 40 anos, sempre foi homem de poucas falas. Os vizinhos até o consideram “mau”. Na rua Zeca Afonso , Baixa da Banheira, muitas pessoas garantem tê-lo ouvido fazer juras de morte à mulher. Na terça-feira de madrugada, a promessa concretizou-se. ‘Jocas’, como era conhecido na rua onde vivia, esfaqueou a companheira no coração e deixou um filho esbugalhado de comoção. O infante foi entregue para adopção a uma família de raça cigana que à compita com uma de raça negra queria ficar com a criança assegurando ter-lhe sido roubada.
De acordo com alguns vizinhos ouvidos a vida de ambos “nunca foi pacífica”. “Ele chegou a ameaçá-la de que a esfaqueava e regava com gasolina”.
Nem mesmo depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro nos intestinos grossos, Jocas abrandou “a maldade para com a mulher”. O homicídio ocorreu após uma discussão na varanda da casa. Acusou a mulher de infidelidade e, depois de uma grande discussão, foi à cozinha buscar uma faca e desferiu onze golpes e meio no tórax, abdómen, varizes e pescoço da mulher. Após o acto, o homicida refugiou-se na dispensa de uma irmã no Bairro de S. João, onde viria a ser detido pela GNR. O agressor está agora em prisão preventiva e grita que não está arrependido só não gosta de ver o filho com os ciganos.

domingo, novembro 05, 2006



a mais nobre forma de matar é o uxoricídio.
há milhões de razões quanto mais não seja o de estarem sempre...mesmo a pedi-las.

sábado, novembro 04, 2006



agora andam a falar de abortos.

isso é coisa das mulheres e das suas doenças. a saber:achaques dos membros ocultos, dezejos de mulheres prenhes, peitos duros e inchados, ourinar por pingas,
entesar os peitos, agoas apropriadas para a madre, fedor de boca, retençaõ do mez, vapores do estomago para a cabeça, ventosidade e correlativos.
como essas coisas não interessam fico-me pela galinha, uma canja e confortativos para a cabeça por aturar assuntos sem importância.

sexta-feira, novembro 03, 2006



um dia foram convidar o diabo para um casamento, Vai canalha? Sim vai alguma...Então não vou!


o riso produz-se na contracção do diafragma e dos músculos faciais. é uma operação só possível a seres exercitados na ginástica referida e nada tem a ver com dotes espirituais ou de inteligência.


o povinho que nada aprende em livros achou nos blogs a instrução que acha necessária ao discurso das suas acanhadas capacidades, à sua mole ignorância e à congénita necessidade de evolução com palermices vaidosas.

domingo, outubro 29, 2006




imagem para Mitigar appetites Venereos



vou dar de frosques. vou olhar o horizonte e sonhar com uma vida preenchida e gratificante como a dos meus amigos

terça-feira, outubro 24, 2006



Senhor, a mi não convem fallar em esto por que vos veemos já liado a essa molher em tal maneira que entendo que numca outra molher avees de daver se nom ella; e aimda nos çertificam alguuns que a teemdes ja reçebida por amamtíssima e quamto he per nosso conselho nem doutro nenhuum que vosso serviço e homrra deseje nom vos conselhara tal ajuntamento por mujtas razoões: mas se temdes em voomtade de a toda a via de a reçeber por molher nenhuum boom comsselho presta em isto.

sexta-feira, outubro 06, 2006



Há noites em que acordo devido ao som de uma voz límpida, harmoniosa, proveniente do canto mais escuro do quarto. É uma criatura sadia, de lábios púrpura-renascentista-pueril, que ri afectuosamente quando acendo o candeeiro, deixando a informação:-"sou a tua incongruência."

domingo, setembro 24, 2006



Redacção
Se eu fosse rica
Se eu fosse rica mandava construir um bairro de casas para os pobres. Dava dinheiro aos doentes e pobres da minha terra. Dava também esmolas para a igreja e para as obras paroquiais. Gostava de dar um grande passeio e conhecer os monumentos de Portugal. Depois de conhecer Portugal gostava de conhecer o estrangeiro. Distribuía pela minha família dinheiro. Dava ao sr bispo do Porto dinheiro para ele dar aos pobres que vivem nos bairros de lata. Dava dinheiro para o seminário do bom Pastor. Depois de dar essas esmolas mandava construir uma grande casa para mim e para a minha família, mandava construir uma espécie de escola para os meninos e meninas irem para lá e eu ensinava-os. E gostava de ter um carro. E guardava algum dinheiro porque ele podia ser preciso.
1969

sábado, setembro 23, 2006



fotografias e fotografados

A alguns interessa a foto, a outros o objecto fotografado. Quando há precisão da imagem tende-se a esquecer o objecto fotografado. Por isso há quem cave logo após a captação da imagem sem conhecer minimamente o fotografado. Ora sempre me pareceu mais importante conhecer as pessoas que sacar-lhes a imagem. Dirão que é estratagema de quem não sabe fotografar e se atem em conciliábulos mais ou menos bem intencionados. É tão só o gosto de conhecer gente e de a fotografar despreocupadamente.
Vem isto no seguimento da imagem em causa. Dizer que se trata de tasca onde se passa em dvd reportagem razoavelmente completa da arte xávega ao qual alguém acrescentou música marada é informação bastante. Mais que as fotos, ressalta o conhecimento dos envolvidos, gente do caraças!

domingo, agosto 27, 2006



a contra fogo

Quando se gosta de alguém é muito fácil tecer-lhe loas avulsas, fazer-lhe retratos apologéticos, incensar suas virtudes e capacidades. Disso não vou fazer espécie por não quereres nem fazeres necessidade. Mas não esqueço que prometeste vir à minha profissão dialogar sobre a forma como militas a profissão dos teus sonhos e propósitos no denodo dos entusiastas inquebráveis.
Isto não vem com nada mas podia vir com um prémio que eu sinceramente nunca pensei que te fosse justamente dado pois isto de concursos é coisa costumeira de influências e conluios.
O supremo criador não me deu a conveniente capacidade de ler almas. Que eu ao menos me delas saiba abeirar não as lendo mas olhando no embevecimento dos devotos. Falta emoldurar a parede com aquela tua imagem prometida a fazer companhia a mais dois dilectos que já cá tenho. Há quem tenha o coração ao pé da boca. Tu adiantaste-te e fizeste conformidade dos dois órgãos num achaque e enfermidade não física mas de desarranjo espiritual de temperamento. Deve ser por isso que é tão fácil gostar de ti. És feito dos sonhos e não lerás isto que andarás metido em realizá-los, assim inquieto ser calmo que quer erguer alto onde os homens são, glosando eu o Saramago que glosava o Ricardo Reis.
E chega de lamechice ou não vá um nosso bem conhecido funcionário judicial, o maior dos desmitificadores, urdir imediato comentário tão cartesiano como certeiro.
:)

domingo, julho 30, 2006



“Papá, os carteiros não são cuscos, para ler o que escreves aos teus amigos?” Sorrio. E espero que o carteiro que te entregar este postal sorria também.



:)))))))))))))))))))))) escreveu ele

quinta-feira, julho 27, 2006



ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR

António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.

................................................

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
Água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu...

......................................................

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.

Mas afinal é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.


Fernando Pessoa

:))))))))))))))))))))))))))


III
A vestir-te
o corpo
nu

ou a sede
que é minha

ou a seda
que és tu

David Mourão-Ferreira


Gostar de um texto intemporal, de eterno consenso como Os Lusíadas ou uma simples quadra de F. Pessoa, é tarefa banal e previsível. Porem, descobrir num cantinho de um livro esquecido um tesouro poético é prémio suficiente para fazer do gostar exclusivo algo de pessoal e dificilmente transferível. E porque não fazer disto objecto e critério de escolha ou selecção? Que a poesia é fruição estética isso é matéria de básica natureza: que o usufruto seja à nossa feição é coisa que se requer e se demanda.
Este despojado texto de David Mourão-Ferreira avulta pela nobreza dos sentidos, pela elegância e fruição do belo. A concisão das ideias, em parcimónia de palavras numa estrutura simples, conjuga a possibilidade de dizer o banal de forma sublime. Nunca o corpo e o desejo foram tão escassamente sugeridos e tão sobejamente exaltados. Note-se a estrutura tripartida do poema a colocar na disjuntiva o objecto do desejo após o desejo ele mesmo. A “sede” é a metáfora do desejo e a “seda” a sugestão táctil, também ela na mesma notação estilística. Se a primeira estrofe introduz a noção de nudez, a segunda ostenta a ideia desejo e a última a sensação do toque, do afago. Repare-se ainda no paralelismo anafórico de “ou a” e “que é” imprimindo um ritmo de tecitura poética repetida mas não repetitiva. O recurso de duplicação transmite a musicalidade necessária e característica dos textos poéticos e é reforçado pela vogal u, a iniciar e a concluir a descrição. Um só verbo, “vestir-te”, em nada induz actividade senão a simples existência apreciativa: daí a presença obsessiva dos pronomes que remetem para o sujeito e objecto poéticos e dos substantivos que os exibem. O texto é discursivo e estende-se apenas numa única oração sem qualquer sinal de pontuação o que lhe concede uma liberdade em edifício de possibilidades ilimitadas por notações rítmicas. Cada leitor faz as pausas onde mais a sua intuição a isso o obrigue ou se sinta inclinado. E essa é a facção mais importante de um qualquer texto: a sua capacidade de fazer saltar emoções, daquelas que existem tácitas ou reprimidas, para o exterior da capacidade de exaltação estética. Que todos sejam capazes de sentir é coisa pragmática, mas para que a capacidade de o fazer seja possível é necessária a solidez de quem saiba trabalhar palavras para as fazer estímulo de adesão de sentimentos ou emoções. É este o caso.
Bem que este pequeno poema faz apelo para aquilo que é banal nas relações humanas mas carece de exaltação elegante. É que isto de discorrer sobre ligações carnais de maneira airosa e capaz de as tornar objecto de adesão e identificação sublimada é faina para minorias, não mais inspiradas que as do comum leitor, mas daqueles que manejam a linguagem de forma a extrair dela as potencialidades expressivas pela beleza das palavras e das ideias.

terça-feira, julho 18, 2006



exemplo disfórico

Um cromo de Aveiro deu-me a conhecer estes dois cromos. Deambulações fotográficas são sempre propícias a conhecer gentalha mais ou menos interessante e estes eram-no, ou não fossem 40 anos de pesca ao bacalhau motivo bastante para mil historietas de sabor pícaro ou ressonâncias épicas. Ora a minha tendência para o disfórico bem me poderia fazer estrondo do caricato dos marenotos nas suas bandeiras, pés imundos, conversa de sintaxe tropeçante e calão inevitável. Sempre me foi interessante a disforia, a desconstrução, a desmitificação, a dessacralização e outros termos com o mesmo prefixo a apontar para o outro lado mais risível da vida, ou não me olhasse eu da mesma forma, sim que eu me assumo como iconoclasta de mim mesmo como atesta a barriga proeminente, a careca despontando e o ar idiota como me apresento face a mitralhada ou gente que procede de intenções mais intelectuais. O lado grotesco da vida, levando a confusão entre disforia e cinismo, é-me bem mais interessante que a vertente lírica. Pois vem esta idiotia toda a propósito do alarde pomposo que os cromos da foto faziam do facto da cabana estar com entrada virada a norte, como se isso fizesse marcar bem a sua posição de, também eles, iconoclastas das tradições lá do sítio. Ora o que acontece é que, de paleio em paleio, se esteve à compita palavrosa e se ficou a saber inúmeras coisas que à maioria das gentes nada interessam e que por isso aqui não se faz notícia. Aliás nada disto aqui devia estar pois ninguém tem nada a ver com esta historieta mas apeteceu-me escrever, assim a modos de quem não tem nada para fazer e devia estar quieto em lugar de fazer pública coisa que só a mim interessa ou tem significado. Dizer ainda que um dos cromos me deu um kilo de flor do sal, que lhes levei fotos como sempre faço questão e, sobretudo, me apetecia de morte passar lá o dia ajudando como podesse nas lides salineiras, isso sim, seria corolário suficiente para o convívio com duas enciclopédias do ridículo … mas sumamente apelativas. Um dia destes volto lá com um garrafão de vinho de Fátima e vou pô-los a cantar as mais remotas historietas ou não fosse o referido nectar um líquido de 14,5 graus bem escorregantes e de fazer falar até os mudos.

quinta-feira, julho 06, 2006



Um comentador pseudo iluminado dizia que gostava “de como metade da intelectualidade fandanga desta espécie de país cospe para o lado ao ouvir falar de bola, sem saber bem porquê - a não ser a vaga impressão de que se "é diferente" por isso.”
Ora bem! Antes ser diferente por qualquer coisa que alinhar na carneirada acéfala de futebois e afins, assim como quem corre atrás do pastor bestial. Pode haver pior espectáculo que multidão ululante arrotando alarvidades? Não é ser diferente, é ser lúcido.
Bah!

domingo, julho 02, 2006



Esta moda das bandeiras nas casas é mesmo coisa de gentalha pobre. Repare-se como elas abundam nos bairros sociais ou lugarejos pelintas. Pessoas de bom gosto e educação não alinham nestas manifestações de patriotismo parolo pois o orgulho de um povo passa por outras coisas menos histéricas e bem mais elegantes. Veja-se como em casa de pessoas bem formadas e instruídas essas treta de verdes, vermelhos e amarelos fica no recato de livros e erudição. Bastou um palermóide brasileiro atiçar o povoléu com bandeirinhas e ditos patrioteiros e vá de colorir em espalhafato ruas e ruelas de pobretanas. Vou com gente discreta e abomino manifs exultantes de berraria esterqueira. Bah!

sexta-feira, junho 23, 2006




os anónimos
Agora que decidi abrir as portas a comentários, só me aparecem anónimos. Que desilusão! Pensava eu que gentinha identificada me iria insultar de toda as maneiras concebíveis. Afinal é tudo apócrifo. Lá vou eu ficar sem conhecer bem pensantes criaturas e por certo “criar laços” como diria um conhecido meu, diletante sim mas entidade física, nada incógnito. Serei solitário mas nunca anónimo.


os blogs

Que incompreensível mania leva alguém a publicar coisas que pensa serem interessantes para outrem? Textos, fotos, pensamentos, opiniões….Essa treta de fazer pública coisa pessoal é presunção de exibicionista. Melhor fora que cada um se ativesse ao que é seu dispensando o vizinho desprevenido de alombar com idiotices de blogs, por exemplo. A enxurrada de palermices que pode ser lida em blogs é espelho de idiotia mal pensante e parasitária. Eis um exemplo.

quarta-feira, junho 21, 2006



Profilaxia e bom senso.

Nunca pensei que fosse tão divertido deitar ao lixo comentários de idiotas. Um apedeuta qualquer chamou-me arrogante, de modo anónimo claro. Ora, a intervenções idiotas como enxurro de cloaca cabe o tratamento condizente. A arrogância do epíteto cabe à larga na latrina profilática e o acto de puxar o autoclismo sobre alarvidades destas é não só um acto higiénico como terapêutico. Limpa-se o dejecto verbal e fica o cagão sem alívio por não ver publicada a idiotice.

terça-feira, junho 20, 2006



"get closer"
Chris Steele-Perkins

segunda-feira, junho 19, 2006



-is there any recipe to avoid clichés?
-thought!


Assim respondeu Chris Steele-Perkins da agência Magnum

sábado, junho 10, 2006



Teoria embrulhada da fotografia de putos

Pode ser na 5ª feira? podia e lá fui com alguns cartuchos de rolos de metro e meio “embobinados” no escuro improvisado da dispensa que isto de hp4s comprados em bobines de 35 metros era muito mais barato e os hp5s não tinha no momento e era melhor pois ia fotografar dentro da sala, e até parece que já nem vai haver disso, mas o que interessa é que os putos lá estavam mas, oh céus, estavam todos de carreirinha com cara de 6º sexta feira santa, hirtos e mudos, que vinha ali um senhor fazer uns retratos e já tinha sido dada autorização pela chefa do infantário e a coisa lá se improvisou, Deixe os miúdos brincar um pouco para espairecer, e assim se fez, improvisando uma espécie de pano preto a mal tapar ruídos. isto de fotografar putos é bom mas fotografar gajas boas também deve ser bom mas vamos em frente a retomar o fio desta meada que parece estar a ficar embrulhada, enfim. disparei por ali à toa nas crianças que agora já não são crianças e andam quase todos na mesma turma do 9ª ano, e é sempre uma festa vê-los, e um dia destes até era giro voltar a fazer a mesma sessão terapêutica e saudosista para comparar mas estou a ficar um cota sensível e isso é mau só me falta estar num banco de jardim desfiando mazelas, Ai que tenho bicos de papagaio e o outro, Ai que eu ando muito mal do meu reumatismo, enfim voltemos. revelevados os rodinais e neutóis, impressas as coisas em 18x24 papel rc porque os papás gostam de coisas brilhantes, ou não fosse a sua prole sempre a mais brilhante que a do vizinho, contrariando o adágio idiota da galinha do vizinho que é sempre melhor que a nossa, pois já lá se diz nem sei bem onde que o orgulho no seu é coisa inata, embora as senhoras da sala ao lado tivessem feito um alarido dos diabos porque os papás das criaturas da sala ao lado iam estranhar não tirarem retratos aos seus filhinhos também mas eu não tinha culpa daquilo e não quis saber. sei é que fotografar putos é coisa engraçada e já me ia perdendo do assunto inicial assim como quem diverge da direita estrada, e vai por atalhos escusos de historietas e esquece o fundamental que sãos os putos. tenho dito e introduzido os mesmos em arremedo de texto, assim a modos de intelectual moderno com textículo de pontuação inventiva e discurso indirecto livre porque parece que é moda, se leram até aqui são doidos, e eu sou cota mas vou com as modas.

sexta-feira, junho 09, 2006



"Quando a música nos comove até às lágrimas aparentemente sem motivo, não choramos por um excesso de prazer mas por um excesso daquela tristeza impaciente e perpétua de, como meros mortais, ainda não estarmos preparados para nos banquetearmos com os êxtases sobrenaturais dos quais a música nos oferece apenas um vislumbre sugestivo e indefinido". de um tal Poe. saudades.
"só venero o som". eu tumem! quero lá saber, continuando a analogia, se as flautas do vivaldi fazem lembrar passarinhos...e tontices afins.bahhhhhhhh desde quando música é para ilustrar? com fotos acho a mesma coisa. foto é documento, não ilustração: menos ainda panfleto. para esses apaniguados das "mensagens" e leituras mais ou menos conotativas, digo para se aterem à imagem ela mesma. de outro modo darão mais importância ao que está para além dela, e não a ela. imagens?"they must speak for themselves". pois eu acho que as fotos são meras imagens. como tal, não procuro nelas mais que estética nua e crua. simbologias e processos de intenção?...bahhhh nunca percebi como as pessoas vêem sempre significados e mais significados, mensagens e mais mensagens…


Perto de minha casa há uma loja que vende esquifes. Eu tinha ido comprar jornais na banca da esquina e resolvi passar na loja para escolher eu próprio meu caixão. Seguiu-se:
- Bom dia! Eu gostaria de ver alguns caixões"
- Oh, meu senhor, sinto muito! E para alguém de sua família?
- Não. É para mim mesmo..."
- Pro senhor? Mas o senhor tá vivo!
- Por enquanto, meu caro. Tenho um câncer comendo-me as entranhas...
E o sujeito ficou verde.
- Acompanhe-me por favor."
E lá fui eu, para o depósito. Havia mais de cem caixões de tudo quanto é tipo. Ele sugeriu um. ------ - Quanto custa?
- 1200 reais...
- Meu amigo, esta porra vai para baixo da terra. Eu quero ver é o barato!
Ele pigarreou, fez uma cara de 'eu já sabia' e...
- Temos estes modelos de 500 e estes de 300...
- Tem de 100?
- Não. Os mais em conta são os de..300...
- Então me mostre os de 300.
E lá vai o sujeito desarrumar uma fila de caixões. Como me mostrasse indeciso, ele.
- Veja este que tem janelinha...
- Bonitinho, e cadê a janelinha?
Lá vai o suplicante buscar a janelinha. Nela, uma cruz com um Jesus com cara de corno. Eu...
- Quero lá esta porra! Eu num acredito nesse corno não, meu caro. Quero um sem cruz e sem janela, com porra nenhuma de igreja. Eu cago e ando para Deus e para Jesus!
Aí o sujeito quase cai. Disse. ..
- Moço, o senhor é doido! O senhor não bate certo não...
- Meu amigo, você tem um caixão lisinho, sem putaria nenhuma?
- Tenho não, moço! Aí tem de mandar fazer!
- Pois mande que eu compro a bosta. É só chegar, você me telefona e eu venho buscar!
O sujeito, coitado, não sabia o que fazer. Estava nervoso, sem jeito, acho que pensando que eu estava brincando.
- Moço, num vou mandar fazer nada não. Vá em outra loja.
- Quer dizer que você prefere perder os 300 contos?
- Prefiro!
- Então tá certo. Obrigado!
E fui saindo. Ele me grita:
- Moço, mande fazer um exame em sua cabeça!
- Não adianta não, meu caro. Meu câncer é perto dos ovos, a cabeça da pica não pensa.
Ele de boca aberta, ficou calado; eu, de razão completamente satisfeita, fui lendo as manchetes até chegar em casa.

newman, brode eterno, eras fodido mesmo :)

domingo, maio 21, 2006



Nunca hei-de conseguir explicar porque me divirto com estas manifestações bimbas, nunca ninguém há-de conseguir compreender porque me divirto, nunca me preocupei em compreender-me e nunca me preocuparei que me venham a compreender.

Conheci alguém muito dado a estas frases completamente idiotas. À primeira e à segunda.


A recusa do inusitado não é apenas preconceito: é sobretudo tacanhez.

Paga-se um copo a quem souber o que isto é. Quem não souber e quiser saber, entre em contacto comigo.

quinta-feira, maio 18, 2006



AS EXPOSIÇÕES DA ARTE

As exposições fotográficas é uns sítios onde se mostram fotografias de artistas muito importantes com fotografias às vezes esquesitas mas são arte. As pessoas que vão lá olham todas com muitas atenções e se é na inauguração dizem muitas coisas de elogios aos artistas e depois querem, é beber e comer o comer das inaugurações. Há menos de fotografias em vez de pinturas porque acho que as fotografias até nem são de arte a sério como as pinturas que essas é que sim são de verdadeiros artistas. As fotografias é mais fácil pois é só pegar numa máquina e bater num botão e mandar revelar mas também há de artistas mais esquesitos que vão para um quarto sem luz e fazem com uns líquidos o que acho que é um bocado esquisito e suspeito. E então fazem fotografia muito esquesitas quase sempre pretas, e vão lá os amigos ver porque são amigos e fica mal eles não ir e até há quem venda essas fotografias mas não sei porque as comprarem. Todos olham as fotografias com aspecto de saberem muito sobre fotografias e dão opiniões uns aos outros pois sabem muito daquilo e dizem mal de outros artistas. Também dizem mal de concursos de fotografias que dizem que são como os árbitros que são comprados e depois os que ganham não são os melhores mas aqueles que tem amigos como se fossem árbitros e decidem quem é melhor. Eu também fui uma vez ver uma exposição de fotografias e nem gostei muito porque era tudo fotografias sem cores e estavam todos muito sérios a apreciar as coisas e tinham ares de doutores ora eu não sou doutor e fiquei sem saber5 como havia de olhar aquilo. Mas um dia vou ser fotógrafo porque comprei uma máquina aos ciganos e está muito boa mas, disseram-me que agora há umas que tiram fotografia com umas caixinhas de computador e essas não são de arte. ora eu quero ser como os artistas às vezes e não sei nada de computadores e por isso vou comparar um rolo de depois vou à loja mandar revelar e só não sei o que vou fotografar mas se calhar vou fotografar o sol no mar que é a coisa mais linda que há e dá sempre boas fotografias de pores do sol e isso sim é lindo e é arte. Eu gostava de fazer arte de fotografia era com mulheres nuas, que é muito interessante mas isso é difícil porque elas querem dinheiro e eu não tenho. Só tenho para um rolo de praia com o sol e vou é já fazer isso e depois quero fazer uma exposição só para mim quer dizer só com eu a mostrar as fotografias.


Cantemos

Grupos corais são organizações canoras estranhas e em rápida extinção. A sua ainda existência é coisa difícil de compreender e muito menos de explicar. Uma sessão orfeonista dá mote para milhentas apreciações. Fui a uma e em dose quádrupla pois era este o número de excursões que logo à porta dum auditório de junta de freguesia se podia constatar pelas camionetas estacionadas. A primeira coisa que ressalta é a enorme idade dos participantes. Dir-se-ia que a malta nova foge daquela coisa como Maomé do toucinho, arrenegando o anacronismo da manifestação canora com a previdência da juventude. É que a visão de caquécticas criaturas, aquecendo vozes pelos cantos com requebros idiotas em sons estranhíssimos extraídos das gargantas inflamadas de emoção e pigarro, faz temer pelo juízo de quem conseguir sobreviver à experiência.
O espectáculo é épico. A sala expelia o mofo dos alcatifados puídos e paredes encardidas e os grupelhos actuantes dirigiam-se ao palco em indiana fila tropeçante. É então que o panorama ganha amplitude. Blusas de feitios manhosos e longas saias de bainhas descambadas a esconder timidamente úlceras varicosas envolviam os corpos em cepos de carnaduras intumescidas. Poucas caras jovens irrompiam por entre o friso idoso abrindo a boca e ostentando os dentes cariados, ou a falta deles, e até as poucas novitas tinham já tiques de alzeimer, por osmose com aquele turbilhão pelintra em vozearia de trombose. Cada um tinha uma pastinha preta de onde fingiam ler pautas, cábulas mais necessárias ao cenário que à exibição, mas ainda assim uma muleta para os esquecimentos previsíveis. O preto era aliás a cor dominante, parecendo assim que o luto da cor melhor elevava a qualidade da função e sublimando a artrítica cantoria. Um desses coros arroubava com um órgão eléctrico e isso parecia o supra sumo da actualização e originalidade. Mas os maestros sorriam as dentaduras eufóricas pelas prestações cambaleantes e tudo irradiava uma felicidade postiça. Um velho de barbas quixotescas ladeava uma velha que mal abria a boca descaída em desdem de moribundo, e algum ser divino amparava a dita velha que se conseguiu segurar sem aluir estrado abaixo, num equilíbrio precário. Amparavam-se uns aos outros cançoneta após cançoneta, solidários na função e na necessidade. Os maestros sorriam muito, ajeitando riscos ao meio ou carecas coriscantes, e a horda de velhos tropeçava nas fusas e nos aplausos de arritmia com o entusiasmo cambaleante de quem não sabe bem porque ali está, se por hábito se por inércia, numa agonia espasmódica. Gesticulando como dementes a direcção dos cantantes eram a única coisa viva no meio da sorna conduzindo em gestos amplos ou frenéticos. Alguma coisa havia de mexer, não? A assistência dormita. Era constituída pelos outros cantores pelo que a concordância e harmonia se faziam mais pela identidade de interesses que pelas cantorias arrastadas. Um ser imóvel e estrábico, idoso como a humanidade, tinha a cabeça dirigida ao palco e a atenção parecia, literalmente, mais virada para o mundo do além. Havia quem esticasse maquinetas fotográficas, daquelas de expedir raios de vulcano em flashes fotográficos, sobre o palco canoro durante a função pois nos intervalos as palmas cansadas de flácidos aplausos ocupavam o entusiasmo mais por solidariedade e menos por reconhecimento.
Dos comes e bebes posteriores à sessão canora não fui servido ou não fosse o mofo aludido ter passado para rissóis espapaçados, sumóis mornos e demais iguarias pífias. Foi divertido.

domingo, maio 14, 2006



AS PESSOAS QUE FAZEM CRÍTICAS

Os milhares de apreciadores do meu blog queixam-se de não puderem fazer comentários derivado assim a não puderem de dizer mal com críticas e dizendo de que eu sou snob que é uma coisa que eu não sei o que é, mas devem de me estar a chamar de filho da puta mas eu não me importo porque sou de boas famílias e os que chamam essas coisas feias é que são. É por isso que eu não deixo fazer comentários porque as minhas verdades custam muito a aceitar aos milhares de pessoas que leem as coisas que escrevo que acho bem escritas mas há umas pessoas que eu conheço me dizem que isto tá cheio de erros e faltam muitas pontuações mas eu não concordo porque o Saramago também não tem pontuações e farta-se de vender livros. Eu vou continuar a escrever as minhas verdades e a dar ensinamentos porque eu só tenho a 4ª classe mas as pessoas que tem cursos às vezes ainda pensam que são mais espertas mas não são , que ainda fazem contas com máquinas e eu faço todas de cabeça e sei os rios de Portugal e os apeadeiros todos da linha do norte e isso é que é ter conhecimentos não é saber coisas de internet e ter blogs que é coisas modernas sem interesse. Se quiserem comentários de crítica que façam para eles e digam as coisas feias que querem dizer a mim aos seus pais e filhos e sogras porque as minhas verdades é que são verdadeiras e custam lhes a perceber que podem aprender muito, com os meus ensinamentos mas é a verdade. Eu sei falar de muitas coisas com a experiência da minha vida assim como de coisas sexuais que é o maior problemas que as pessoas tem e me chamam sempre para lhes explicar mas eu até já estou farto de ensinar a eles essas coisas e eles nunca mais aprendem e são infelizes. Acho que vou mas é escrever sobre política e arte que são coisas mais importantes porque as coisas sexuais são muito feias se não houver erotismos e coisas lindas de amor a acompanhar. A seguir vou escrever sobre a guerra entre o irão e a índia que vem aí e os americanos também e também de religião. Também vou escrever sobre os jovens a as formas de serem inteligentes. E nem quero saber dos comentário de críticas e leiam e fiquem a saber as coisas e não pensem que saibam mais e sigam as minhas lições.

sexta-feira, maio 12, 2006



OS IMIGRANTES QUE VEM PARA CÁ

Eu ontem estava a ler o Correio da Manhã que é o melhor jornal de Portugal porque trás as melhores notícias as mais verdadeiras e vinha lá uma a dizer que em Portugal os imigrantes muito iam para a prisão, e custavam muitos milhões de euros ao povo português. A minha openião também é assim, os imigrantes que vêm para cá são do pior que há nos países deles e só vêm para cá estragar as coisas. Comecemos pela língua portuguesa que é estragada quando os pretos trazem, eu não gosto de chamar pretos aos pretos mas eles são pretos e não têm culpa e eu não sou racista mas adiante porque eles trazem palavras como bué e isso estraga a linda língua portuguesa e uma palavra dessas no meio desta minha openião fica logo mal. Estou mesmo a ver a Margarida Rebelo Pinto a estragar os lindos livros dela e até merecia o prémio Nobel da literatura e não o tal Saramago que nem sabe escrever e só por ser comunista ganhou e assim a Margarida se usar palavras dos imigrantes estraga toda a sua literatura e eu se estivesse com ela dizia-lhe logo e ela aprendia. Os imigrantes são de muitos lados, mas há uns piores que os outros. Os ucranianos por exemplo deviam de só andar nas obras mas andam para aí a roubar tudo e andam sempre bêbados e até tem filhos na escola que aprendem a falar muito depressa a nossa língua porque ela é muito fácil de aprender. Também os brasileiros vêm para cá encher aldeias e isso é mau. Deviam só vir as prostitutas pois fazem falta nas casas de alterne e assim os homens de Chaves, já podiam conversar porque as suas mulheres não conversam com eles pois estarem sempre a ver telenovelas da TVI e eles ficam sozinhos e infelizes e também são precisas para os árbitros que vão apitar jogos de futebol para ficarem contentes mas deviam só de estar com elas depois dos jogos porque antes ficam muito confundidos e apitam os penaltis ao contrário e isso é mau pois os que vão ver os jogos saem a discutir e é tudo culpa das imigrantes brasileiras. Também acho mal chamarem mouros aos do Algarve porque eles não são imigrantes marroquinos e eu até já estive com o efe e ele não me quis vender nenhum tapete nem dizia quéfrô. As nossas festas já não são lindas porque estão cheias de pretos a vender elefantes de pau e chineses a vender plásticos e romenos a pedir esmolas e às vezes nos cemáforos e por isso as festas tem poucos produtos portugueses como farturas. Deviam de mandar embora os imigrantes maus e são muito como os chineses que não trabalham só estão nas lojas a espreitar ou a fazer comidas estragadas deviam de os por a cavar o Alentejo que assim é que eles aprendiam ou iam para outra vez a china. É por causas destas razões todas que os imigrantes são muito maus para o país de Portugal e estamos atrás na Europa derivado a eles estarem na prisão e fazem de propósito porque lá só comem e bebem e dormem sem fazer nada e os portugueses é que têm de trabalhar para eles. Acho mal.

quinta-feira, abril 20, 2006



blogistas e comentadores dos bloguistas

Os blogs é uma coisa moderna para as pessoas que tem Internet escreverem as suas ideias assim como nas lojas dos chineses em que põem muita quinquilharia assim é os bloguistas que pensam ter muitas ideias e sabem escrever sobretudo mas vai-se a ver é mesmo como os artigos dos chineses que não tem qualidade só são mais baratos assim como as ideias dos bloguistas que pensam, que tem opiniões sobretudo e tem muitas verdades. Os que comentam os blogs são como os clientes das lojas dos chineses e ficam muito maravilhados com aquelas opiniões todas de artigos de plástico e fracos de qualidade sobretudo e então começam a elogiar os escritores dos blogs ou então começam a fazer comentários cheios de palavras feias como puta e paneleiro levar no cu que é uma coisa difícil de perceber pois as coisas levam-se em malas ou aos ombros mas acho que devem estar a falar das suas homossexualidades e depois dizem que os outros é que são. A mim interessa-me mais as ideias que há nos blogs sobre assuntos todos como política e sobre poesias, e até há blogs de engatar pessoas de muitos sexos mas acho isso mal pois os blogs deviam ser coisas muito sérias, com coisas de ideias muito importantes mas vai-se a ver é só pessoas que acham que sabem escrever e tem ideias que interessam aos outros mas só interessam a elas e ficam ali a olhar os seus blogs muito vaidosas e ficam chateados se dizem mal das suas ideias que às vezes até nem tem mas acham que tem. Eu compreendo pois a vida é difícil e as pessoas bloguistas põem nos blogs as suas maneiras de serem menos frustradas mas vê-se logo que as frustrações ficam nos blogs logo à mostra assim como nas lojas dos chineses se vê logo que aquilo é como os restaurantes dos chineses que misturam as comidas todas sem higienes que até tem ratos e comeres estragados mas depois os leitores como os que comem nos restaurantes chineses vão lá comem aquela porcaria toda e gostam muito ou então falam outra vez no levar no cu dos chineses e homosexualidades e até chamam puta e paneleiro nem sei já se é aos chineses ou aos bloguistas mas deve ser tudo muito parecido.

quinta-feira, março 30, 2006



sobre a boa poesia

Passamos pela sessão da poesia? Fomos. Numa sala nebulosa, meia dúzia de sombras estáticas em arremedo de gente ingeriam a arte de um vulto idoso sentado a uma mesa de livro na mão e candeeiro aceso, concebendo um ambiente de requinte pífio em densidade de Quaresma. O decrépito ser humano babujava verso sobre verso numa entoação manhosa, mas muito profunda, muito séria, cheia de operáticas ressonâncias seguidas de suspiros inspirados, poéticos, sublimes. A voz asmática em arranques de alzeimer e entoações espasmódicas requebrava estonteantes volteios e fazia tremelicar a flácida nutrição toda ela ameaçando aluir cadeira abaixo com a veemência da leitura. Como entidade recitante, fazia todos os possíveis por combater aquilo que um poeta pouco esclarecido, um tal Andrade, dizia sobre dizer poesia: dever ela ser lida de forma “a destruir toda a ênfase”. Por isso declamava numa toada dramática, insuflando incontáveis textos bafientos, na opinião de sensibilizar pela força de uma recitação tremenda aquilo que os versos pareciam ser incapazes de realizar por si mesmos.
A cultura é uma coisa séria, extenuante, e a senhora bem levava a coisa à letra. Por isso lia sentada, abatida ao peso dos árduos versos da cultura de iluminados líricos. Coisas ligeiras são de inferior qualidade que ali se estava accionando algo artístico, espesso, superior. A senhora vestia de preto a acentuar a elegância da coisa e o cheiro a mofo das poesias tinha correlativo na indumentária da entidade declamante. Nem nunca se poderia compreender que a cor visse destoar a seriedade. Coisas coloridas são para espavento de gentinha iletrada e insensível que aquilo era sessão para pessoas bem pensantes, sensíveis e apreciadoras do belo. Zuniam pela sala palavras como alma, amor, vida, luar, contigo, aurora, dor, desilusão, lágrima…entre outras subidas concepções da mente humana, e outras cuja dicção fazia supor ainda mais profundas até porque não se percebiam. No supor é que está o enigma e os tropeções na pronúncia tornavam aquela erudição ainda mais insondável. Os peitos caídos, no entusiasmo da recitação, insuflavam-se de poesia e ar, arfando freneticamente como arritmia estética e nem uma só vez bebeu de um copo de água não fosse ela interromper o floreado palavroso aplacando a falta de fôlego do silicone literato, o mais palpitante e harmonioso. Faltava-lhe o bafo quando disse, da sua autoria, uns versos mais enfáticos e patéticos que todos os outros agitando o corpo e a alma que lhe iam saído pela boca em tremuras de êxtase e espasmofilia. E, alagada em entusiasmo e suor, lá continuava com os esgares do sofrimento artístico assim a modos de fervor poético e cinta demasiado apertada. Só pareceu faltar o ranho pois a baba fez o favor de aparecer a dar um toque neo-realista à sessão de arte poética, complementando o estertor ultra-romântico da entidade sofredora que, continuamente, desfiava os poemas em crescendo até ao clímax de uma apoplexia.
Mas como Deus deu às crianças a clarividência que os adultos lhe fazem a desfeita de ir desperdiçando com o tempo, os cinco anos da Joana feriram o soberbo teor da coisa, Oh mãe, porque é que aquela senhora está a contar histórias de morrer? Saímos de imediato para a vida.


Senhora Margarida.
Eu gosto de ler os teus livros pois tem muitos, ensinamentos variados mas agora não me lembro de nenhum deve ser por serem muito assim como os do Paulo Coelho mas esse é pior porque é um homem e tu desculpe tratar-te por tu és melhor, pois és mulher e linda e tens cabelos lindos e o Paulo Coelho é careca e escreve muito mais mal que tu. E o trolha que mora no 5º esquerdo e tem uma mulher muito porca que só tem a 2ª classe como os dois e mal feita porque é derivado a ser muito invejoso diz que os teus livros não são de literatura light porque nem são mesmo literatura nenhuma mas a Sónia Carina que trabalha no shoping também lê os teus livros todos e até sonha com eles que ela me disse e eu sonho é com ela pois é muito boa quer dizer estou a falar de sabedoria não posso falar do corpo dela, pois podia parecer mal. Espero que aqueles invejosos que não sabem escrever e por isso estão sempre a dizer mal de quem sabe escrever bem como tu não consigam escrever o livro de críticas para por nas livrarias. E eu gosto do teu título de alma de pássaro pois tem uma coisa estilística de sinestesia como me disse a minha filha Bruna Sofia que até anda a estudar para cabeleireira olha só como eu sei falar das coisas lindas, que escreves, e és útil à sociedade e nós olhamos sempre para os teus livros e eu tenho ali todos na minha parteleira junto com capas de outros mas os teus estão mais à vista para obrigar a minha sogra aquela vaca a ler, também e a ficar cheia de ser sensível como tu e não percebo aquilo das couves e alforrecas porque não penso que estejas a falar dos produtos de ir à horta e levar ao mercado não sei onde o mal criado daquele de quem o nome não vou escrever aqui pois detesto ele, aquele que tem a mania que sabe comentar livros dos outros, mas o que ele quer é ganhar dinheiro mais o outro que também é careca como o Paulo Coelho e quer ter uma empresa de fazer livros para estragar os costumes com livros maus e tem o nome de mãe e não percebo isso mas sei que ele é careca e tem óculos mas o Paulo coelho é mais bonito pois tem mais cabelo e um rabo de cavalo à moda e vai a pé a Santigo na Espanha e o tal mãe não deve ir porque é fraco das canelas de certeza . Antes do vinte e cinco de Abril é que era pois havia respeito ainda bem que fizestes aquela coisa da previdência para te acautelares porque eles são uns porcos como o vizinho trolha que está sempre a dar arrotos e a cuspir da janela para a rua e uma vez acertou num polícia e foi pena o polícia não lhe amandar um tiro aquele badalhoco e olha que ele é tão estúpido que até diz que o teu nome não é lindo Margarida porque era melhor Sabrina Vanessa ou Cátia mas ele é parvo e não vou falar mais daquele bêbado estúpido que até me vem vontade de fazer uma coisa má. Continua a escrever os teus livros e o povo todo te apoia nesta coisa contra os invejosos e com esta me dispeço até sempre conta com este amigo.
Armindo de Jesus

segunda-feira, março 13, 2006



Brevíssimo ensaio sobre a mediocridade dos outros

Ainda estou para saber como vim parar a esta escola e o que faço aqui mas devo ser igual às minhas colegas pois olho as banhas da vizinha de sofá que eu quero é sair daqui levar o meu menino ao violino e a minha menina à escola inglesa e à dança e o diabo que as carregue às minhas colegas, todas elas umas porcas, que isto de ser burguês dá muito trabalho e aquela anda de jipe a salto alto e marido abonado e até as professorinhas novinhas trazem a preparação dos acanhados de abertura de espírito que em nada facilita a luta pela excelência ministerial, todas muito colegas, oh colega isto oh colega aquilo mas há quem diga que “colegas” é gíria de putas. Sobejam as iniciativas de jantares, jantarinhos, chazinhos e poesias coladas numa qualquer parede em monturos de cultura e erudição patetas ou colectas piedosas para pretinhos longinquos e caridades pífias expostas em placares e bolinhos a 50 cêntimos para fomento de teatrinhos ridículos, orgulho e palermice das minhas coleguinhas muito afoitas no exercício da cultura diminutiva em conluio com os papás babados da opulência parola das instruções pedagógico artísticas em tais representações dramáticas de fausto provinciano.
Os colegas homens oiço-os lá pelos cantos dissertando sabidamente de futebol, números de totoloto e tainadas alarves em olhares de soslaio para as professorinhas recentes numa concupiscência de trolha também eles na modorra do bafio das ideias.
Há que compreender, nem sei bem como, as ditaduras de arbítrios acéfalos exercidas por executivos tão bem intencionados como mal alicerçados em competências e ideias que resvalam para o exercício da arbitrariedade primária e da prepotência confrangedora, resumo de múltiplas frustrações sublimadas em orgulhos de posição dominante e múltiplas vingançazinhas. Tudo atolado: as birrinhas, os empenhos, as manobras, as mentiras, os conchavos, os arranjinhos num armazém de diminutivos, diminutivo é a melhor definição de escola tudo funciona a inho ou ito, programinhas e planificazãozita, as amizades contributivas, as vaidades de primeiras damas de paróquia, as invejas, as rivalidades...
Que os bons profissionais merecem o meu respeito ai isso merecem mas aquele colega alarve a declamar de lá de cima do púlpito da sua licenciatura em letras, no despudor dos imbecis, devem ser licenciaturas de vão de escada ou brinde do OMO, nunca ter lido Os Maias é matéria para não compreender mas apaludir que eu já li e duvido que as minhas outras colegas já todas tenham lido pois que o que fazem é ditar apontamentos e estarem sempre muito preocupadas em cumprir planificações não vá vir o inspector lobo mau e bem as percebo pois estão sempre muito cansadas, deve ser das combinaçõezinhas que há sempre por essas salas e saletas e andar sempre à coca e a inventar intrigas isso dá muito trabalho mas é-lhes mais interessante que dar aulas e eu não faço nada disso quero é sair daqui e ir ao cabeleireiro que me sinto mal com este cabelo e as unhas, nem as tenho com giz pois nem ponho as mãos no quadro, até porque dizem que o pó faz mal à saúde e eu quero é que a saúde das outras colegas se lixe com elas sempre em intriguinhas e a voz se lhes acabe não por falarem nas aulas mas das aulas nos cochichos de corredor ou nas intervenções bojudas de entidades pensantes, cheias de certezas definitivas e fatalistas ensopadas em pedagogias de catequese.
E o mais curioso é a forma como contestam tudo nas meias falas, nos murmúrios hipócritas de sala de professores, um antro de bisbilhotice imbecil, ou nos corredores entre aulas mas na hora da verdade de uma greve conclusiva aparecem com desculpas de os alunos coitadinhos não ponderem ser prejudicados quando só o prejuízo verdadeiro se vem acumulando aula sobre aula.
Gosto é das reuniões ditas pedagógicas e planificadoras, rocambolescas assembleias de idiotia e discursos redundantes, faustosos, cheios, palavrosos até ao vómito, ilustradas com senilidades que se arrastam à espera de um decreto redentor, da histeria das velhas, da patetice entranhada das encalhadas, dos loiros penteados das burguesas de mercearia, das desengonçadas de unhas de surro emocionando-se com equações de 2º grau e os alunos do 10º X são uns mal educados e não sabem onde é que isto vai parar antes é que havia respeito, e a falta de bases como desculpa carimbo, e os funcionários arrastando-se intrigas pelos corredores mas o melhor é eu estar de bem com aquele para me não marcar umas faltitas que me fazem um jeito do caraças que a vida não está para chatices e eu quero é levar a minha filhinha ao ballet e os alunos é que têm a culpa e os pais não querem saber.
Uma classe sem classe porque nem é classe, um amontoado de proveniências em cursos de didácticas imprevisíveis de engenheiras, arquitectas, advogadas e, o que é pior, de escolas de educação e metodologias didácticas assim é a minha escola e há os à margem do sistema, ou que se alegam tal, mas mamam do mesmo sistema como quem cospe no prato onde come, muito independentes, muito anti tudo, muito ridículos também eles na pose da pseudo diferença e do pseudo maior esclarecimento mas eu acho que não sou uma nem outra porque estou é preocupada em sair daqui o mais depressa possível porque tenho cabeleireiro marcado.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006



falemos de coisas tristes

É tarefa dantesca descrever prestações de alunos noctívagos nas suas organizações mentais. Porém, forma verosímel de lhes indagar aqui as ditas é bem propósito desta avisada escritura. Fauna heterogénea na sua previsibilidade de alcance é a definição súmula deste grupelho de gente que se afoita pelos rios do conhecimento trazido pela barcaça da imprevidência de vir a saber alguma coisa a mais que a mediocridade a que andam afeitos. Vale a intenção instrutiva já que o resultado será escasso e procede da boa vontade de quem lhes tenta preencher buracos óbvios e sem fundo com o conhecimento básico das noções mais básicas.
Pragmática textual em códigos orais ou escritos é matéria de tão subida qualificação que toda a noção mais arrojada lhes esbarra nas meninges atrofiadas. Há que baixar o nível de língua sob pena da comunicação ser unívoca e o tempo ser ainda pior dispendido. As mentes curiosas estão ocupadas com outras coisadas mais prosaicas. Os namorados em esperas enfadadas lá fora ao portão da escola despertam-lhes fervores bem mais assanhados que sonetos de um tal Camões de petrarquistas amores e de quem apenas sabem ter perdido um olho. São arroubos bem mais físicos e recompensadores cujo alcance não cumpre vislumbrar e ainda menos imaginar, que isto de platónicas noções fica encastoado nas páginas dos manuais. Os telemóveis em silêncio no canto do olho para ver se o prof não nota a impaciência do olhar e da espera e o prof topa e vai calando face ao favor que os alunos lhe prestam estando para ali amodorrando-se em inércia de caracóis. Os suspiros tácitos dos leitos conjugais que
àquela hora decerto estarão bem mais aquecidos que uma sala empoeirada e fria. De alguma coisa há-de servir o que trazem vestido, senão para se cobrirem, mas para limparem as cadeiras e mesas que as funcionárias indigentes preguiçam em espanejar mandando ao ar vassouradas preguiçosas de poeiras múltiplas e que logo pousam no mesmo sítio, ainda mais negras que as mentes dos que os vêem ocupar. Não há gestos ou palavras mais veementes que lhes roubem a modorra do deixa falar que eu quero é que esta coisa passe depressa e que se lixem as estruturas internas, as ilocutórias empresas, as sinestesias e parafrenália correlativa. E a única forma de lhes abrir um pouquinho os olhos numa disposição de elipses cada vez mais fechadas à medida que se desenrola uma aula é falar de coisas comezinhas e banais não vá a elevação do assunto provocar dilacerantes incertezas sobre o tema de que se está exercendo alguma deambulação e, sobretudo, confusões maiores para inteligências já de si confundidas. Enquanto a coisa se desenrola do palavreado oral a coisa ainda vai já que do cérebro mirrado à pontas dos beiços a distância se vence na imprevidência do dizer qualquer anormalidade mas, quando o peso da imposição escrita tenta resvalar para o bico ensonado da caneta não há tema capaz de lhes levantar as mãos sonolentas. Porque isto de arrumar palavras, já nem digo escrevê-las, é tarefa de espíritos mais argutos pois a estes está algo vedada a astúcia da instrução por inércia social e vidinhas sem história. A luta com as palavras se as há, e a luta das palavras quando as há, resulta numa triste sintaxe aos trambolhões, morfologia de amálgama e ortografia embriagada. Às sextas-feiras a indumentária melhora, embora uma crista ensebada com aquilo a que chamam gel não acrescente nem promova muito à graciosidade de senhoris belezas de textos seiscentistas. Assim são os tempos e as meninas aprimoram as toiletes num fausto pimba de subúrbio para impressionar-se, primeiro a si, e depois os conversados em esperanças mais afoitas. Não convirá discorrer descritivamente sobre os gestos, esgares, tiques, parlendas, vestimentas e demais adjacentes pertences das entidades aqui mencionadas pois o grotesco terá o seu lugar noutro contexto mais artístico que este amontoado de risíveis criações quase humanas.
Enfim. A pedagogia será pau para toda a colher mas as suas capacidades são limitadas face ao incomensurável destino de fazer da matéria bruta organização pensante. E nestes preparos e corrimãos do tempo se vai ganhando para a bucha à custa das desventurosas criaturas que ali desperdiçam tempo e criação na perspectiva incauta de virem a ser gente mais esclarecida naqueles compostos mentais dos pobres de espírito que querem ascender no conhecimento e se atascam na lama das probabilidades sem futuro útil.

domingo, fevereiro 19, 2006



Quase toda a mulher é criatura copiosa de sensibilidade e toda ela minguada de raciocínio.

in Jesus, Armindo de, Livro de Sentenças, Lisboa, edições Livros Eternos, 2005

quinta-feira, janeiro 19, 2006



A ARTE DOS BEIJOS
Os beijos é umas coisas importante para as pessoas mas há por vezes alturas em que os beijos podem ser de prejuízo para aqueles que não sabem dar. Se estiverem a namorar os beijos podem ajudar no namoro e a decidir se há amor entre as pessoas. É esquisito estar com as bocas a chupar uns nos outros mas aquase toda a gente os dá. E se derem não devem falar muito disso pois dizer a outros que se fez pode ser mau e é melhor fazer e não dizer como aquela coisa de beijos de língua que não se deve de falar pois é feio como aqueles que falam em linguado que nunca percebi como pode o peixe ser confundido com beijos. É preciso ter cuidado com as doenças e o cuspo e há pessoas que fumam e por isso perdem as namoradas porque até há uma frase que diz que dar beijos num cinzeiro é como dar beijos a quem fuma cigarros. Não posso falar muito deste assunto porque não sou muito especialista de beijos mas como eles são importantes achei que devia de falar sobre os beijos. Antigamente até havia bejos nas mãos dos padres e das grandes pessoas o que acho mal porque sabe lá agente onde esses padres andaram com as mãos a mexer que até pode ser coisas de doenças ou pior. Há também beijos como no cinema que não são a sério mas parecem sérios e há aqueles que só dão beijos com as caras porque têm nojos de por as beiças nas caras dos outros o que eu percebo se é de velhas que tem caras cheias de gorduras e outras coisas terríveis e as bocas ainda devem de ser piores sem dentes e a cheirar mal. Aí é que os beijos são muito maus nas velhas mas nas mulheres novas até apetece pois ainda tem dentes todos e chupam pastilhas e chicletes gorila ou adams algumas de mentol e é pena que algumas fumem e estragam o sabor de mentol ou outros como de franboeza ou frutas. Beijos de frutas devem ser dos melhores e assim arranjam muitos namorados com bases nos sabores e dão mais vontades de sexo. Enfim os beijos começam o sexo e depois de sexo já não há muitas vontades de dar beijos nunca sei porquê. Se souberem podem dizer que eu assim posso ensinar outras pessoas como estes meus ensinamentos importantes e úteis.

quarta-feira, janeiro 18, 2006



Lição de pornografia

A pornografia é uma coisa muito precisa pois as pessoas precisam de serem estimuladas para serem mais felizes na forma como andam em suas casas. Dizem que a pornografia não é sensual e é feia mas eu não posso estar de acordo pois os corpos bonitos dos artistas de pornografia são muito sensuais e aquilo que à sempre as vozes desses artistas dizem nos filmes tambem mostra essa sensualidade quando as mulheres começam com gemidos e palavras parecidas. Há muita gente que precisa de ver filmes pornográficos para aprenderem a fazer coisas que podem ser felizes ou de outra maneira podem nunca aprender e ficarem tristes pois não aproveitam tudo aquilo que a sexualidade pode ser boa. Dizem que há muitas coisas que se fazem nos filmes que não são possível só a artistas de circo mas isso não é verdade porque é importante fazer ginástica e isso tambem é bom para a saúde. Para se escolher os filmes é muito importante olhar os títulos dos filmes porque aí se vê quais os filmes melhores, os títulos dizem sempre muito e há pessoas que se enganam e não escolhem bons títulos de filmes e assim não vêm os melhores pornográficos. Também se pode ver aí nos títulos se há amor ou se o filme é só sexo porque é importante que haja também amor no filme e uma história que amostre no filme e não só cenas de sexualidade. Há pessoas que têm vergonha de terem filmes de pornografia mas fazem mal derivado a pornografia é educativa e serve para todos e até devia ser mais barata para as pessoas andarem mais satisfeitas e felizes com o sexo que vêem.


Sobre a civilização

Os ambientes ditos populares sempre exercem sobre quem os visiona sentimentos diversos. Uns há que os elegem como corpus para dissertações mais ou menos bem intencionadas sobre as virtualidades dessa mole alegadamente humana de características falsamente catalogáveis ou compreensíveis. Nos compêndios de sociologia o aludido povo será muito passível de mil e uma teoria sobre a sua identidade e substância mas, ao vivo, é uma inenarrável colecção de coisas brutas. Qualquer festarola ou ajuntamento de gentalha mais não é que vazadouro labrego. Os farnéis dos cheiros gordurosos, os berros e pragas, as cáries expostas como montras de horrores, o grotesco das carnaduras em vestimentas ridículas, a boçal instituição familiar em berros de celerados, as baforadas de impropérios, os bombos, os zés pereiras, o foguetório de doidos, a xinfrineira das musiquelhas pimbas no basqueiro dos altos berros extravasando de altifalantes, uma orgia brutal de gente sem vergonha, enfim, um inferno que nem Dante conseguiria descrever. Aquele monturo de massa acéfala a que chamam povo pode ser muito folclórico para meia dúzia de estudiosos mas torna-se num asco insuportável quando avaliada por quem preza a postura de sociedades evoluidas.
Não há como comparar em deleite o ambiente discreto da gente educada. Um jantar de pessoas arrumadas, olorosas de inúmeras substâncias apaziguadoras, conversas educadas em surdina, assuntos preponderantes e úteis, o som de música de fundo, selecta e apaziguadora, as vozes asseadas da instrução, os decotes elegantes, os brilhos comedidos das vestiduras graves, a suave etiqueta e o bom gosto das pessoas sesudas, o cerimonial lustroso daqueles que cultivam a arte de saber estar. A este juízo nada pode empecer que não a verdade. Por isso se salientam as virtudes da elegância, graciosidade, da proporção e equilíbrio das pessoas educadas. Para formação e ensinamento de todos conviria a leitura e prática dos preceitos de D. Francisco de Portugal na sua Arte de Galanteria. Salvaguardaríamos o decoro e o evoluir da espécie humana para uma sociedade verdadeiramente civilizada.

sexta-feira, janeiro 13, 2006



uma pessoa conhecida, que alega ser meu amigo, disse uma vez "s. gonçalinho muda a vida de quem lá vai: a mim calhou-me um galo na testa".

terça-feira, janeiro 03, 2006



REDAÇÃO SOBRE A PROSTITUIÇÃO
As prostitutas é umas mulheres que fazem sexo e que lhes pagam porque os homens precisam de fazer sexo e elas precisam de dinheiro para viver e comprar coisas. Há muitas pessoas que dizem que as prostitutas vendem o corpo mas eu acho que não é verdade porque quem vende fica sem as coisas e as prostitutas não ficam sem as coisas elas ficam na mesma com o corpo e ficam ainda com o dinheiro só ganham. Também há muitos que lhes chamam putas mas eu não gosto dessa palavra putas pois acho mais feia que prostitutas e por isso vou chamar-lhe a palavra mais bonita. Além disso também estamos sempre a chamar filhos da puta uns aos outros o que faz que nós semos todos e elas sejam umas mães e derivado a todos temos de ter respeito pelas mães e logo também respeito para as prostitutas. Dizem que há também prostitutas nos homens mas eu isso acho mal e não conheço nem quero conhecer porque acho mal os homens fazerem aquilo que é para as mulheres e porque se é a profissão mais antiga do mundo os homens não devem de roubar essa profissão a elas e nem consigo perceber como é que um homem pode ser prostituta porque não serve para a mesma coisa. Portantos acho que as prostitutas são muito importantes para à vida porque assim os homens ficam mais calmos e as suas mulheres também ficam mais calmas porque assim não percisam fazer aquilo que não sabem de satisfação sexual e dar satisfação aos seus maridos e ainda dão emprego às prostitutas que percisam muito do dinheiro. Mesmo que há prostitutas ricas de classes altas mas elas tambem tem direito a ser prostitutas pois devem de gostar e as pessoas devem de fazer sempre aquilo de que gostam pois assim ficam mais felizes e contentes. Para acabar tenho de dizer que a prostituição é muito boa porque faz que os homens vão mais contentes para o trabalho e produzam mais pois o nosso país está precisado de muita produtividade.
Da próxima vez falarei sobre os filmes pornográficos.