segunda-feira, dezembro 12, 2005



o homem a mais

Sei de um gajo que é um slogan. Tem o target dos 33 anos alcançado e o que vier de acréscimo não passa disso, uma redundância. Do 33 podia formar já uma frase curta e incisiva sobre qualquer coisa: assim considerasse ele a vida. Ao invés, encara-a como um diletante. A uma pergunta sobre Quando fazes anos? responde invariavelmente Já fiz, o que prova quanto a sua inteligência mirrou atrás de montes de papéis cosidos. Alega ainda a feitura de um pequeno ser, um pequeno emplastro que nada promete vir a acrescentar à espécie humana. Mas tem qualidades. Sabe medir muito bem a luz. Não aquela, a da sua existência, mas a outra, nas máquinas que se dizem fotográficas. Merecia uma fm3 mas o destino encarregou-se de se tornar cauteloso e deu-lhe uma outra nikon de merda com uma objectiva ainda mais merdosa: venham lá agora dizer que a vida não fotografa direito por objectivas tortas. Cose 33, cose. Tece a mortalha da tua invalidez como ser humano pensante. Encontrar-nos-emos num qualquer banco de um qualquer asilo desfiando mútuas maleitas e memórias de mitras, suor e surro, ranho e baba, pó e lixo, monco e ranheta, cuspo e ...

terça-feira, dezembro 06, 2005



RATAS
Da festa a Santa Luzia ressalta sempre o famoso leilão, dos "olhos vivos" segundo a nomenclatura da festarola, ponto de encontro e aparato das oferendas em bestas várias que se transfiguram em dinheiro a favor da santa ou da capela ou, como dizem as viperinas línguas, do padre. Os oferecimentos costumam cingir-se a animalejos de capoeira e não é fácil perceber este gosto pelo ganau de penas como se fosse ele intermediário preferencial da santa. Talvez que a sugestão a churrasco acabe por impelir a esta oferenda preferencial de gado alado. O certo é que o pregoeiro tem jeitos e requebros em vozearia capazes de fazer cair o mais inocente e assim lá vai obrigando a que cresça a oferta em espiral devota. Mas dá-se o caso do grande intermediário profano deparar, por vezes, com outras alimárias oferecidas que não as revestidas a penas. De dois bichos da índia dizia ele serem ratas ao que toda a gente ria com a alusão a coisas bem menos religiosas que a intenção explícita pois o profano é bem mais colorido que o alem. Aliás, de coisas mundanais está invadida a festarola para degustação variegada e consolo visível. Sim, que a devoção faz com que missas e rezas sejam de superior conveniência e proveito mas a estômagos vazios não se pode pedir fervor consentâneo com a importância da romaria. O certo é que ao redor do leilão há uma sinestesia improvável de solha frita, regueifa de canela, abafado e outras iguarias para sossego dos corpos em terreiro vasto que os espíritos têm lugar mais recolhido. Não consta que das ratas se tenha feito culinária mas nada admiraria face ao inusitado repasto e ao enjoo de comer sempre galináceos pois bem parece que quem compra o leiloado faça dele produto de panela.

segunda-feira, novembro 28, 2005



A MEDIOCRIDADE
A inquietação está na génese da criatividade. Não é o caso da imagem acima, já que, saturada de mediocridade desde a origem à execução, em nada se faz destacar. Ora, só é capaz da perplexidade quem afronta os motivos com a inquietude dos insatisfeitos, aquela que faz perdurar imagens. Porém, é destes momentos que se constrói o dia a dia :)


Quando o agir fotográfico deixa de ser um acto lúdico para se transformar num tormento de aceitação penosa, quando a fotografia se torna fonte de insatisfação porque se fotografa para outrem, quando a ditadura da aceitação mais ou menos pública escraviza quem dispara, quando as loas dos apreciadores são mais importantes que o gozo do disparo despreocupado, quando estéticas pré concebidas imperam sobre o gosto pessoal, quando a fruição do referente é subjugada pela preocupação da boa imagem...algo vai mal no equilíbrio emocional de quem se aventura pelos semideiros escusos da fotografia em lugar de seguir rectilínea feição daquele que olha pela máquina para adquirir a imagem glorificadora que coroa um momento. Esse momento foi meu e só a mim interessa. Opiniões alheias sobre a qualidade do seu assentamento em imagem são irrelevantes.

domingo, novembro 27, 2005



Pequeno manifesto contra a leitura

A leitura é uma actividade inútil. Não é produtiva porque nada faz nem deixa fazer. Um leitor é um ser absorto, estático, indolente. Geralmente sentado, perigosamente ridículo, não se apercebe das transformações que o rodeiam. Veja-se a figura apalermada de alguém lendo um livro num jardim. Passividade, evasão, alheamento, abulia, distracção, inércia social e demais patologias são potenciadas pelas leituras. Acrescente-se a mágoa da visão de uma enorme quantidade de pessoas que se dedica a tal deletério vício. A culminar este despropósito estão as bibliotecas, essa invenção demoníaca de locais fechados em caves de sofrimento pseudo intelectual, masmorras de conhecimento desnecessário, o que redunda em não conhecimento, folhas e folhas de letrinhas tristes e mesquinhas dizendo coisa nenhuma tentando dizer tudo.
Quem lê personagens e histórias vive no mundo do faz de conta em lugar de construir ele mesmo as suas acções, viajar pelos seus espaços e tempos, em suma, ser ele mesmo personagem da sua própria vida no convívio com os que o rodeiam. A leitura é, pois, uma fuga, uma deserção, uma perdição. Poemas e historietas são recursos de egos presunçosos julgando-se produtores de importâncias. Leitores são idiotas consumistas de noções ocas.
A nossa liberdade é cerceada pela leitura. Lendo não se vive, logo, não se aprende. A verdadeira aprendizagem está nas actividades do quotidiano, não nas folhas inertes e bolorentas de um livro. Nunca vi que uma palavra fosse de mais nutritiva que um rojão. Os antigos nunca precisaram de livros. Liam nas estrelas, liam nos ventos, liam nas folhas das árvores, liam nas cores e nos sons da natureza. Bem dizia Fernando Pessoa que o “sol doira sem literatura” e que os livros eram meros “papéis pintados com tinta”. Mais juntava ele que “estudar é uma coisa em que está indistinta/ a distinção entre nada e coisa nenhuma”.
Sejamos activos e úteis.

Um ex-leitor

terça-feira, novembro 22, 2005


O SEXO E A IDADE
Costumam associar-se aos jovens os contactos físicos mais aparatosos enquanto para os mais carregados de idade a distância prudente como caucionadora de respeito e conveniência. Não deixa, mesmo assim, de ser curioso tentar interpretar no grau de afastamento e o tipo de relação entre velhos a partir das imagens que sempre se nos deparam. A idade parece assim ir carregando com o peso da distância já que aos velhos estão vedadas beijoquices e tocamentos por imposição social e vergonha compreensível. Nem convém falar de apetites amorosos ou degeneração em asco corporal pois isso é coisa de difícil julgamento face a inoportunas incapacidades de estímulo que o tempo geralmente tem como castigo trazer por brinde. Conjugam-se aquelas com o veredicto das permanentes vizinhas opiniões e comentários sobre o despropósito de junções mais carnais ou exteriorizações de afectos em criaturas a quem o juízo e a decência fariam oferta de melhores comportamentos face à lascívia artritíca de que pateticamente julgam padecer. Puerilidade e senilidade acabam como pesos da mesma balança a inclinar-se para uma queda do bom senso no precipício do ridículo. Basta que vivam contentes dos olhos e seguros do coração, como dizia o mestre D. Francisco Manuel de Melo que nisto de aconselhar era de bem avisada pertinência. Deixem para jovens entusiasmos a prática de exercícios corporais e a quem deles verdadeiramente precisa e os sabe desempenhar. Que cada um leia como bem quiser, ou como gostaria que fosse, e assim se ficam exemplos do que se tentou introduzir. E as demasias em sensualidades de alzeimer mais não fazem que salientar o ridículo de certas junções senis. Pode lá haver coisa mais digna de lástima que ver dois velhos aos beijos, trementes e babados? Eis pois o retrato dos gerontes em oblícuas cambaleantes confluências quanto se atrevem ao que lhes estaria bem vedado se o juízo e as conveniências lhes ocupassem espaço nas moribundas carcaças

sexta-feira, novembro 04, 2005



OLHOS
Quem poderia adivinhar que o motivo desta conspecção improvável de gente sesuda é nem mais nem menos que Santa Luzia, padroeira dos olhos? Parece que a santa tem a capacidade de restituir visão a quem dela se sente necessitado. Tal não parece crível a gente mais incrédula mas as coisas mais impróprias são as mais procuradas.
A romaria a Santa Luzia é um amontoado de tradições que atrai, todos os 20 de Dezembro, hordas de feirantes que se aboletam à beira da estrada muito antes de chegarem os aspirantes a vistas mais capacitadas. Os romeiros ceguetas fazem promessas de olhos de cera que depositam junto ao andor numa fé dificilmente catalogável mas bem fornecida de créditos pelas crédulas sucessivas gerações que demandam a festarola. O certo é que, além da visão, os outros sentidos são também estimulados em manifestações várias nem sempre emprenhadas de fervor religioso. Desde o abafado de doces quenturas vendido a copo, garrafa ou garrafão em inúmeras barraquinhas, à solha frita em lata de óleo nunca mudado e preto de esturricado, às regueifas de canela, até aos demais odores que das festarolas populares sempre se desprendem em quantidades de assombro há uma míriade de bem profanos e apetecíveis estímulos. Bem parece que aqueles que muito devem sentir a falta de uma boa capacidade no uso do sentido da visão aprimoram outros como o olfacto e sobretudo o paladar. Dessas vastas delícias se faz a reunião anual da muita gentinha que a santa, além do poder de curar as vistinhas, é sobejamente benfazeja em fartas vitualhas para regalo de todos. Mais parece estra romaria um desfile de comedorias que devoções religiosas embora essas não faltem no terço, missa, procissão e demais desfiles com despojos de dejectos equinos. Tudo isto é estimulado com o estrondo dos foguetes e da banda de música inflamando a audição para completar a sinestesia festiva.
Melhor que falar sobre a santa luzia é visitá-la e isso tenho feito anos a fio. Só que, para escrever isto, já tenho de usar óculos o que prova quanto a minha inclinação vai para o sentido do gosto em lugar da vista, e a ausência de devoção está para as vistas em lugar dos comeres. Tenho, pois, de arrepiar caminho e dedicar-me mais a levar olhos de cera e menos olhos na barriga.

segunda-feira, outubro 31, 2005



RISOS
A capacidade de rir dos outros e de si mesmo radica na necessidade da desmitificação da integridade do sério necessário para valoração do ser humano. A atracção pela disforia, pelo ridículo, pelo grotesco e pelo risível que há em cada um de nós não diminui em nada o apreço que se tem pelas pessoas. Além disso, a hipocrisia dos moralistas, a visão piedosa dos coitadinhos, o pretensiosismo da presunção de se ter mais sentimentos que os outros, ou que os outros nem os têm porque riem, não existem naqueles que tratam o riso como a forma mais lúcida de se relacionarem com os supostos males do mundo ou as deficiências do seu semelhante. Fragilidades, consciência e ego, medo e insegurança, motivam o pavor dos que temem ser apoucados pela troça. Com a sua propensão para o bizarro, também o grotesco, como provocador de riso inteligente, é capaz de subverter o sentido estabelecido das coisas e delinear uma radiografia inquietante, surpreendente e risonha do percepcionado tornando-o em catarse trágica, em pathos mais ou menos violento e portador da sublime adesão às emoções mais solidárias. A tolice risível só pode encontrar o riso em sublimação como resposta, acompanhado por um sorriso em ilustração da lógica melodramática na relação com os outros e a recorrência de um julgamento ético.
Riso e humor podem nada ter de semelhantes. O poder do riso está precisamente na capacidade de nem ter sequer intenção de hostilidade. Apenas aqueles que se indignam perante o riso pressupõem que há essa investida mal intencionada por detrás dele mas a atracção pelo ridículo e pelas vulnerabilidades é coisa sadia. O riso desarma as pessoas, cria uma ponte entre elas e facilita o comportamento amigável excepto naqueles que perante as suas virtuais vulnerabilidades sentem o medo da pseudo troça. O seu objectivo é a comunicação e por isso rimos e ridicularizamos sobretudo quem gostamos numa mensagem que enviamos a outrem comunicando disposição para brincar e mostrando que somos pacíficos. Que as pessoas se sintam feridas pelo riso é coisa que precisa ser esclarecida pois há diferença entre intenção e consequência. Uma nem sempre leva a outra e quando isso acontece é por deficiente interpretação do objecto risível e não do sujeito ridente. Precisamos dos risos e das brincadeiras para interagirmos como indivíduos com o grupo social no qual nos inserimos e também para aliviar as tensões sociais do quotidiano numa catarse necessária. O ridículo existe e é inalienável: os que ousam desafiá-lo de frente e usufruir dele vivem de forma salutar.

quinta-feira, outubro 27, 2005



AI O GRANDE FILHO DA PUTA!
Sei de um ser humano, sujeito entroncado e de quase nula pilosidade craniana, que é um bom operário das palavras e me respondia solidário, há tempos, ser a actividade da escrita um acto masturbatório. Tal individuo como antífrase corporal dá pelo diminutivo de uma letra apenas, irónico pois, mas suficientemente sugestivo para inspirar adesão sem rodeios ao seu jeito manso de dizer. Mantinha ele que este escriba tentava glosar o grande António lobo Antunes em diversos textos avulsos. Respondi que disso tinha pena, não da glosa mas da ausência de talento para o fazer. Glosar implícita ou explicitamente um autor é homenagem máxima que se lhe pode prestar embora eu mantenha que a citação é o subterfúgio dos incapazes. Assim sou na aptidão de gerar talento mas não na capacidade de o apreciar nos outros. E para fazer justiça à ideia, lembro o dito Antunes e o seu Ai o grande filho da puta! quando numa crónica se referia a esta expressão como o melhor elogio que à sua escrita podia ser feito. Disso fiz serviço, glosando-o pois, quando da vistoria a fotos do homem do diminutivo em letra única e dando de supetão com um retrato de menino plácido adiantando-se a um friso feminino e outra com uma procissão num sítio improvável foi isso mesmo que me ocorreu, Ai o grande filho da puta!

terça-feira, outubro 25, 2005



AS MULHERES
Dizia um avisado cronista que o problema dos homens são as mulheres e o problema das mulheres são as mulheres.
Não respondo pela totalidade da afirmação mas não posso deixar de secundar esta opinião atilada e lúcida. Nunca vi que outro homem pudesse provocar estorvo a outro homem excepto no caso que refira mulheres. Que estas vivam empecedo-se constantemente umas às outras é de tão visível estado que até elas próprias fazem questão de o assestar a todos os ventos como intriguistas contumazes. Muito disto se deve à néscia opinião fêmea de ser uma mulher capaz de ombrear com o homem nas múltiplas tarefas de organização da vida moderna. Se atidas no seu cantinho restrito, os problemas não alastram aos homens e se consomem nelas mesmas em questiúnculas de telenovela. Que desempenhem suas domésticas mesquinhas tarefas com a diligência suficiente para deixar seus maridos satisfeitos e a mais não parecem ser obrigadas por incapacidade de abarcar subidas cousas. Atrás de tachos e panelas os problemas são de inferior importância e bastam para deixar aos homens a preocupação das grandes causas. Não há palavra mais simples que não resolva problema entre homens. Já entre mulheres é impossível o entendimento pela sua feição mesquinha de se aterem a cousas do seu impossível entendimento e se enredam em palavreado tão oco quanto inconsequente: quem não entende cedo confunde. Assim, aqui me pronuncio sobre o tema ofertando uma citação de uma grande entidade reflexiva da humanidade, o sublime pensamento de umas das mais gradas figuras dos tempos modernos, a ler, meditar e seguir fielmente, pois é caucionada pela sua integridade como pessoa e feitos de honestidade inestimável.
“Pela sua vontade de democracia sexual, o judeu roubou-nos a mulher. Nós, os jovens, temos por missão matar o dragão para recuperarmos o que há de mais sagrado na terra: a mulher enquanto serva e doméstica”
Adolf Hitler

sexta-feira, outubro 21, 2005




SOBRE A BELEZA
“ A feia é pena ordinária, porém que muitas vezes ao dia se pode aliviar, tantas quantas o seu marido sair de sua presença, ou ela da do marido. Considere que mais vale viver seguro do coração que contente nos olhos; e desta segurança viva contente; que pouco mais importa haver perdido por junto a formosura, que vê-la ir perdendo cada dia, com lástima de quem a ama. Isto sucede sempre nas mulheres, já pela idade já pelos achaques, a que toda a formosura vive sujeita.” D. Francisco Manuel de Melo.

Mais a propósito não poderia vir a imagem da temerosa figura da senhora em causa, por seus patentes e horrendos artefactos de belezas inexistentes. Por isso seu marido entornava pelas goelas na tasca mais escondida, copo sobre copo para seus alívios e desenfadamento, coisas que com a esposa lhe eram óbvia e escancaradamente vedados. E satisfeito vivia, pela segurança inabalável de que cobiça máscula seria mui alongada de tal figura que alegadamente consigo havia casado sabe-se lá porque mais obtusos desígnios. Ironicamente do contrário eu fui servido, nem tanto porque a feieza da senhora me colocasse a longe, mas porque a minha figura pareceu encher de furor sensual a criatura fêmea talvez precisada de carinhos corporais. Carpindo misérias da triste apetência provocada fui para os copos solidários com o desinfeliz que tal avantesma sempre tem de encarar quando a ela penosamente não pode fugir. Sim, porque as femeais criaturas são aos homens tarefa de apreciação em contentamento dos olhares e sobre as tristes figuras das desposadas próprias há que manter sesuda distância na segurança do órgão cordial. Digo as mulheres legítimas, que as outras devem manter-se arredias de vislumbres cobiçosos não vá a fama e ainda menos o infausto proveito de enfeites frontais fazer pender de vergonha ou opróbrio o órgão do pensamento.
Eis pois como o escritor setecentista deixa testemunho imorredoiro, ou não fosse eu caução do seu opinar e fiel seguidor dos seus assisados ensinamentos.


A imagem é redundante e desprovida de interesse senão a mim. Voltando lá, levei uma impressão ranhosa a este senhor e o desgraçado ia chorando. Por entre historietas que não descortinei por completo, que o homem fala mas mal se percebe, ficou mais um acontecimento. Que dele não tenha resultado matéria fotográfica de grande monta é cousa que a mim pouca diferença faz. Há alguns anos atrás teria movido céus e terra pensando fazer com aquilo maravilhas fotográficas de bressons, ou salgadas aventuras. O tempo e o juízo encarregaram-se de me por nos eixos pelo que agora, com as expectativas moderadas face ao alcance do talento, aqui se exibe a mediania, a que outros chamam mediocridade, mas da qual não me envergonho. Dela não faço estrilho laudatório em causa própria pois me parece que tal desiderato seria coisa para um grupo mais treinado nessa actividade de escolher boas imagens para mostrar.
Disseram-me há dias que o Zé dos galitos, assim consta a alcunha deste barbeiro de 82 anos, o mais idoso deste país no seu sumo orgulho, se encontrava “encamado” como diz o povo, que nisto de prefixos é bem mais sugestivo que os enfadonhos gramáticos, mas se enternecia ainda com a lembrança da foto oferecida. Para quem tão gentilmente fez cortesia de me receber e conversar um bocado historiúnculas avulsas como presente esperado e enriquecedor, foi retribuição pouca para tão cara experiência. Lastima-se o caso da invalidez mas atenha-se o apreço pelo meu conhecimento desta criatura tão peculiar.

quinta-feira, outubro 20, 2005



Lá de longes terras, um guincho aflito
Soou gordo e seboso... e de lá
Se veio, palindrômico, até cá,
num tão funério, alucinado grito.

Oh mistério...oh Deuses, dizei já,
Que orgásticas excreções, que mito,
Que malocoptéricos ais? e cito
O Phata-hotep da orgia má.

Que convulcionadas, vis asperezas
Assim, em exangues uivos uivando
Das mais aberratórias naturezas?

Fez-se crua luz e eis senão quando
Vi o home, das esféricas pendurezas,
De frémito se aos testículos agarrando.

o vate hediondo

quarta-feira, outubro 19, 2005



AOS PAPÉIS
A turma estava estranhamente inquieta, murmurante, trocando olhares cúmplices, sorrisos inesperados, eles, afeitos à modorra do deixa andar e que se lixem as literaturas pois fusíveis e circuitos impressos lhes soavam bem mais apelativos que A Sibila e outras esquisitices escritas por gente complicada. Nessas situações a receita está no fundo da sala em falatório que lhes morde os ouvidos e esconde o rosto para sua inquietação e no sentir-lhes a estranheza da calma insegura, mas dessa vez nem tal estratégia resultava, Aqui há coisa. Com um olho nos textos e outro nas nucas, um olho no burro outro no cigano, de nada valia perguntar o que quer que fosse, já que, naquela turma de electrónica, o mutismo seria eterno e a solidariedade inexpugnável, Fernando dá cá isso, um papelinho minúsculo, disfarçado, deslizante. Porque a curiosidade leva de vencida o bom senso quando o espírito é fraco, li, Olha as pegadas no tecto, e olhei, e a turma desaba numa gargalhada uníssona, divertida , vingada, Fernando lá para fora. E nunca uma expulsão fora tão injusta pelo depositário ocasional do despeito que hoje, tantos anos passados, me concerta os electrodomésticos e ri perdidamente com o expulsor tão em conivência de gostos e memórias bem dispostas e nunca ressentidas.


A CAIXA
Num monótono correr de bancos de plástico vagamente anatómicos eternizando esperas e segurando, pendidas em quadrados subscritos verdes, as "analces" prognósticas de salvação difícil e curas impossíveis, jazia uma aglomerado de gente mortiça e expectante numa nódoa comum de escura cor pardacenta. Entreabria-se uma porta e todos os olhares se viravam numa ânsia de salvação para o tempo que escorria demorado e entontecido. O médico, de olhos abstractos, pendurado na forca do estetoscópio, virado de esguelha, inerte, avaliava o tempo perdido com tão arrastados casos. Da caverna de um cubículo, num arrazoado caótico de papéis, a funcionária do atendimento, de olhos difíceis, impositivos, rosnava ordens e informações exaustas. Um velho limpava a escorrência da baba num trapo amalgamado a fingir de lenço nos dedos artríticos em babujados queixumes. Ao lado, numa osmose anciã, outro velho de olho distante numa juventude improvável de ter existido jazia de maxilar à banda, num desdém de trombose, esperava fúnebre um algo que não aconteceria nunca. Por entre os corredores de doentes, arrastava a esfregona preguiçosa uma absorta empregada da limpeza esmoendo o tempo e esperando a hora de foguear dali, num disparo incontido, para o lar de subúrbio amontoado, para o ranhoso filho inesperado e para o marido exaurido de arrotos de cerveja e futebóis. Trotavam bandos de enfermeiras em brancos assépticos cacarejando conversas inúteis numa vozearia galinácea em direcção à longínqua cafetaria para o café e o bolo de arroz do meio da manhã. Duas velhas, amortalhadas em preto de fuligem, arfavam queixas numa conversa de confessionário em arranques rugosos de asmática negritude contínua e desmesuradamente como quem daquilo tudo esperasse o nada para o já pouco esperado. Só uma revista de artistas de novelas, esquecida num dos bancos, dava uma borrão de cor por entre os negrumes amarfanhados do autismo paciente dos doentes. Bombeiros de azul e lista vermelha empurravam numa jovialidade enérgica o rodar aflito de uma maca num ganir de rodas, áspero e seco, acolitando um homem sem idade distorcido em posição de cepo e de inspirar inquieto em súbitos arranques oxidados de motor exausto. A sala de espera, como porão de cargueiro de paredes de clausura, esmorecia no quieto arrasto das horas e na modorra do ar espesso e peganhento que se desprendia das paredes sujas numa patine encardida, doentia, impregnando ainda mais de tempo e idade os pacientes acabados.
E sobre tudo aquilo uma vaga ânsia, num cansaço e desespero, de inutilidade e renúncia.

terça-feira, outubro 18, 2005

Trovas que fez a ua dona ca se dezia com dolores en sua parte derradeira e per isso vedava usança en su assento


Clamais senhora da grã coita
E mui bem apregoais
Dolores alto bradais
Em vossas anais entranças.

Mil cousas parecem bem
Por querer mas não por feito
Nunca vi tamanho jeito
Suceder sempre por bem.
Seguro contentamento
Não o procure ninguem
Em cruas fatais folganças.

Que quem isto empreender
Busca desenfadamento
E levar no escuro assento
Se milhor lhe parecer.
Que a vara tem o condão
E peita sua razão
Pelas mimosas entranças.

Nem todo o atrevimento
E deleite sempre vem
Algum prazer d' olho tem
Em concrusão do lamento.
Sofreis demasias tais
Que altos brados bradais
Das vossas anais usanças.

Se amores queirais que seja
Livrai-vos das demasias
Evitais grandes azias
E fadigas bem sobejas.
Os lacteos montes usados
E na rosa furos dados
Nunca traseiras usanças.

Cabo

Se quizerdes sarar o mal
Olhade o que eu disser
Adiante se aprouver
Triaga por via oral.
Do menbro viril é míngua
A vingança vem coa lingua
Não coas anais lambanças.


POLITICAMENTE CORRECTO
A cortesia, a boa educação e a previdência ordenam aos espíritos avisados que se abstenham de posições agressivas quando se trata de apreciação de trabalho alheio. Não se trata de hipocrisia alguma pois tudo pode ser dito com a acutilância das palavras medidas, com coerência, com equilibro, com harmonia, com bom senso: evitam-se, assim, os males maiores de leituras precipitadas. Há quem lhe chame politicamente correcto mas bem pode a política ficar arredada do que foi exposto pois se releva, isso sim, o carácter íntegro já que é a rectidão aquele princípio que norteia o juízo equilibrado.
Porém, uma intervenção politicamente correcta é sempre uma atitude mais preocupada com o autor visado e não com a autoria, com o modo e não com o objectivo, com a linguagem e não com o reparo, com o eufemismo e não com a hipérbole. Viscosa ou volátil, nada incisiva por temerosa, combate uma infecção com anti-inflamatório e não com antibiótico. Esta fobia de aplicação medicamentosa justifica-se a si própria pelo pavor de ferir susceptibilidades não actuando face à doença. As meias palavras, os meios tons, os subentendidos, os atalhos são, assim a modos de analogia farmacológica, paliativos para pacientes fóbicos de tratamentos definitivos, prescritos por terapeutas ainda mais medrosos.
Bem parece, contudo, que este reparo faz justiça à tese pois usa precisamente a mesma técnica linguística sob a forma de ilustração da patologia denunciada.



HÁ SEMPRE ESPAÇO PARA MEMÓRIA
Erguida gesto a gesto por meu avô, numa dedicação longa e pachorrenta, a casa de meus avós tinha a idade indefinível de todas as gerações, o sentido do tempo antigo. Na cozinha, a alma das coisas: os objectos simples e austeros de todas as casas de aldeia, a cantareira de todas as sedes, a lata do açúcar amarelo do meu maravilhar, e na lareira ampla o acolhimento dos gestos cansados ao entardecer. Mas na cave reinava ainda mais a quietude, na profusão dos objectos esquecidos. A luz escorregava para a magia do ambiente, coada sobre as coisas e os usos. O rendado vaporoso das teias de aranhas pacientes pairava, babando fios e fios, pelas janelas estreitas, nunca fechadas e nunca abertas. Vinham os odores da adega, onde meu avô escorropichava dos pipos ventrudos o calor do vinho apaziguador numa devoção consolada. E por cima daquilo tudo, uma poeira sadia decorando as alfaias cansadas do campo. Era o mundo das brincadeiras permanentes, da descoberta de todos os recantos, da posse de todos os milhentos tarecos, sempre velhos e sempre desvendados, na eterna ilusão do futuro não ansiado. A Idalina, catraia esgrouviada de palavreado fácil quanto inocente, companheira de todas as aventuras, também preferia a penumbra da cave ao raioso sol da eira, ou ao labirinto dos milheirais. Em buscas de escondes e procuras em risadas felizes se vogava no tempo. E minha avó cirandando tudo, numa quietação diligente e empenhada, enquanto minha tia fiava no tear dias encantados em passadeiras infinitas de restos de trapos numa melopeia acariciadora que ainda hoje me ecoa bem no fundo.
Nunca quis ver a casa destroçada e uma nova construção roubou-me o seu lugar.
Quero o espaço da memória intacto e eterno.

segunda-feira, outubro 17, 2005

BREVE TEORIA SOBRE A CAMBADA
Que aqueles eram uma cambada de malandros não estudavam nem a tabuada sabiam... só andavam a passear os livros... uma corja de mal educados e nunca haveriam de aprender nada uns inúteis...
E ia por diante o professor irado, numa fúria repleta de certezas definitivas, convictas, experientes, caucionadas pelos anos de serviço dedicados à causa docente e a didácticas eficientes, no despeito pelo seu valor e esforço não apreciados, e impossíveis de serem colhidos como fruto. Os outros, em assembleia tácita, iam assentindo e soletrando, em melopeia numérica, classificações para as pautas numa indiferença monótona de quem faz aquilo por obrigação, deixando para hipotética oportunidade uma ainda eventual devoção.
E porque mais isto e mais aquilo e que esta geração está perdida e os pais desta gente não querem saber e eles não andam aqui a fazer nada no meu tempo é que era agora ninguém quer saber e esta sociedade vai mal e este país como é que há-de avançar nenhum destes alunos há-de dar nada na vida...
Mas uma voz calma e jovem, escassamente irónica, juntou:
- Há cinco anos, o senhor disse isso de mim e, agora, estou sentado aqui ao seu lado .
Nunca o silêncio se havia feito tão denso e significativo.


SOBRE GAJAS BOAS

Gentalha campesina ou piscatória bem como festarolas pouca variedade induzem na criação fotográfica e fazem bocejar de tão batidas. O certo é que eu bem gostaria de variar. Tolhe-me, por exemplo, a impossibilidade de fotografar gajas. Falo de nus, note-te. Sim, essa é a verdade e várias razões concorrem para essa lástima de não poder apontar a máquina a tão apelativo destinatário.
Começo por dizer que a minha condição de “velho gordo e asqueroso” me atira logo de início para o olvido dos impossibilitados. Depois, uma gaja nua rebolando-te na praia como croquete arenoso em poses de lascívia pelintra não me ficaria mal mas os fotógrafos afortunados já as açambarcaram todas numa voraz capacidade exercer o monopólio sobre esses seres auspiciosos de imagens imorredoiras. Aliás, tenho alguma dificuldade de entendimento face a certos locais escolhidos para esta sublime criação fotográfica pois recantos pedregosos e edifícios em ruínas parecem ter propensão doentia para correntes de ar e arrepios de pele. Ter como prémio uma pneumonia da modelo não é coroa de glória que me atraia já que sou sempre de natureza bem cuidosa para com o meu semelhante. Para o propósito do nu fotográfico bem melhor parece a estufa de um quarto que apazigua a derme exposta e propicia mais abandonadas poses e maneirismos lascivos. Também a solução caseira é de impossível satisfação já que a decrépita criatura que acompanho, há demasiados anos diga-se, não propicia imagens de atractivo valor e não há grande angular que remedeie a sua manifesta ausência de arredondadas carnações. Há quem o faça à socapa em banheiras e locais afins o que não me parece grande ideia para conservação de objectivas. O bafo das humidades criou já, decerto, fungos demasiados no maquinismo fotográfico. Também o mundo do trabalho nada augura de bom: das docentes há amostra de muita celulite e paleio que faz desistir o mais aventureiro e das discentes o excelente material sempre à vista pode fazer perigar o emprego que nestes de tempos de socráticas intervenções é bem de evitar. Das profissionais do ramo amoroso não me posso valer pois aberturas e velocidades seriam imediatamente conotadas com exercícios de poses acrobáticas e eu gostava de coisa suave e langorosa. Nunca pus a hipótese do mundo masculino pois a minha categoria de fauno me faz inverter logo a vontade e o propósito.
Eis porque não posso praticar os meus clichés nudistas e me arrasto por paisagens humanas de muito menor interesse e sedução, digerindo a custo frustrações indeléveis e desilusão sem remédio.


O ATEU, O CRENTE E O SEXO
Discorria há tempos um amigo meu sobre a sua convicção inabalável de ser um crente um imbecil, e precisar de o ser. O mesmo creio passar-se com o dito crente que, de certeza, classificará o ateu segundo a mesma perspectiva. Eu, querendo fugir ao epíteto, resolvi de há muito, por conveniência e descanso, ficar-me pela dúvida metódica, coisa de muito mais aliviada consequência e estado.
Vem isto a propósito da romaria a Santo Estevão, advogado da cabeça que, por 500 paus, um beijo no pé e uma marrada no ícone, alijava maleitas várias de que a dita cabeça sempre anda bem fornecida e paciente. Desse tratamento não fui eu provido pois os 2 euros e 50 cêntimos me pareceram bem melhor aproveitados na tasca mesmo ao lado, beijos onde toda a gente põe as beiças sempre depositam bicheza esquisita que por aí pulula, e cornadas numa imagem me lembravam poder vir a ser a morte proveniente da cura e não do mal. Nem a feição de iconoclasta vem de encontro à minha mais arreigada feição de construtor. Mais ainda estranhei serem os velhos os grandes clientes daquela terapia beata quando, segundo meu modesto entendimento, são os novos muito precisados também de cabeça bem ordenada e pensadora por motivos de patologias de recentes tempos. Não se veja na atitude de desprendimento do velho perante o sermão e missa cantada, senão a falta de remédio para os achaques dos membros inferiores, apesar de a cabeça já estar pretensamente curada mediante a terapia atrás referida. Nestes tempos de especialização, parece oportuno referir que o santo em causa obviamente lhe não curou tudo, pelo que o senhor terá que recorrer aos serviços de outros padroeiros para remedeio das outras enfermidades, ou escolher santo mais ecléctico, assim a modos de médico de clínica geral que para tudo serve e nada cura. Não é, pois, atitude contra a carneirada aquela pretensa indiferença perante a orientação do resto dos crentes.
E, para não cometer pecado de falta de estrutura interna para este arrazoado, cumpre voltar ao início aquando da referência ao ateu e ao crente. Que sejam ambos bem fornecidos de suas certezas que eu me fico pelo que vejo, já que nenhum deles, até hoje, me demonstrou cabalmente a sua teoria. Assim me fico, na certeza de que este amontoado de ideias será pouco do gosto de quem tiver a pachorra de o ler. Para outras coisas mais apelativas e apaixonantes bastaria escolher o tema do sexo que sempre ateia atenções mais expeditas ou adormecidas, embora me pareça que o muito falar sobre ele tire rendimento à sua prática, regularidade e rendimento.


O SENHOR AOS ENFERMOS
Os preparativos começam de madrugada, diligentes e eufóricos, em enfeites vários de gosto antigo e passadeiras no chão das ruas, antes de flores e agora de serrim pintado, que isto dos tempos modernos não se compadece com práticas mais demoradas. Cada recebedora família do Senhor capricha para que Este seja acolhido com festiva e compenetrada circunstância. Só o enfermo, o moribundo, o mortiço, não é tido nem achado como anfitrião daquela beata comitiva e, à custa das suas maleitas definitivas, ostentam-se vaidades decorativas de sabor popular, autêntico kitsch como agora se diz, em colchas nas janelas, acertos floridos em profusão e muito vária comedoria. Sim, que o Senhor e sua comitiva não são de ferro, e a “sustância” é de superior necessidade para esforço tão alongado por montes e montes, por ruas e ruas, por casas e casas.
É uma longa procissão, com direito a banda de música, de tons garridos e sonorosos a contrastar com o enfermo evocado que, à luz da recepção estrepitosa do foguetório, cantorias devotas e músicas sopradas em fôlego manso do esforço e desafinanço incorrigível, ou quina de vez ou ressuscita que nem o Lázaro. Padres, aprendizes de padres, escuteiros e penitentes, devidamente amparados por cordas e pastoreados pelos chefes dos escutas, fazem 22 quilómetros alombando as ancestrais alfaias religiosas, visitando os anunciados candidatos à barca dum tal Caronte. Mas o ar prazenteiro dos devotos, sob um sol vivaço, ardentes de sede e vermelhos do esforço, não esmorece jamais, a não ser nos mais novos, que a esses outras práticas parecem mais apelativas que aquela lombriga de gente alongando-se estrada fora e parando para a visita premonitória. Comungam da mesma ordem os músicos pois para esses a devoção se exibe bem afastada, já que o ar de frete e a pressa com que nas pausas da caminhada procuravam as sombras e se despojavam dos instrumentos pousando também olhares exaustos e suados, tudo apontam para obrigação mal remunerada e de ainda menor apreço. Às janelas assomam velhas numa mistura de curiosidade e respeito perante a procissão, não deixando de lobrigar o difícil esquecimento da infeliz possibilidade de um dia, mais ou menos próximo, ser clientes de tão nefanda visitação. Sim, que aquilo é bonito na casa dos outros: na nossa, é despedida em festarola bem escusada.
Fé e tradição são mistura indistinta. Nem isso fará importância de monta pois nada é mais cultural que a fé. Esta, é coisa escorregadia, e apanha o desprevenido mais depressa do ele possa pensar. E o senhor António, ateu empedernido, que sempre exibia aversão a estas festividades anunciadoras do trânsito final e com o carro calcanhava de propósito os beatos enfeites rasteiros das flores e afins, recebeu agora em estado de coma, e nutrido a seringa no leito finalista, o cortejo que sempre protestou. Não se pode deixar de reconhecer que o visitante Senhor tem desígnios tão insondáveis quanto mordazes.


ALMA AFLITA
Alma Aflita é uma mulherzinha de voz oleada, interminável, transbordante em falares, de pegar às seis e ter pelas dez uma carreta de sacos de batata atestados, Amanhã vou passear para o Porto, enquanto ia ali e vinha, já com os queijos encomendados, e fui com quem sabe histórias infindas e sobretudo as origens da alcunha que bem se divisava na pressa de redemoinho com que girava cozinha fora quintal adentro numa genica que os vaidosos 78 anos exibiam, Já viu que nem um cabelo branco tenho? e eu que sim e até já nem tinha muitos. Diz-se que o seu homem, sujeito entroncado e manhoso, lhe entrou um dia pela porta conduzindo a amante, os dois comungados para coçar Alma Aflita e não se sabe quem levou mais porrada pois a dita alma de Deus não é se ficar tanto nas palavras como nos gestos ou não exibisse ela valentia sobeja, A caralha da minha nora é para ela as batatas que hoje arranquei, mas muito amiga de dar pois Quanto mais dou mais tenho dizem que diz sempre e eu ouvi também e assim foi pois, além dos queijos, vim ajoujado de laranjas e ervilhas que ainda ontem comi algumas no arroz, Ora ponha-se aí para uma fotografia, e ela pôs logo, impante, orgulhosa dum sorriso raiado, Eu depois trago-lhe a fotografia.

domingo, outubro 16, 2005



S. BARTOLOMEU
Não se infira da crueza de algumas das imagens de S. Bartolomeu do Mar um longo e penoso calvário de quem ali vai. É uma festa! E, como tal, o ambiente é reinadio. É uma catarse colectiva que ninguém alguma vez há-de explicar. Sim, porque nisto de fés populares prevalece o ambíguo. E que os “estrangeiros” achem piada ao kitsch e genuíno fluir dos populares, daqueles que parece impossível ainda haver, é matéria para dissertações de académicos intelectualoides. Não estranha, portanto, a quantidade de fotógrafos civilizados que ali acorrem para registo das pacóvias criaturas e espécimes folclóricos adjacentes. Assim, os ditos predadores de imagens saloias, curiosos de atrasados tempos e costumes, são presenteados pela opulência daquela gente em farnéis ajoujados e, sobretudo, numa indescritível e genuína inocência que, nos tempos impossíveis de hoje, os faz posar com uma naturalidade pueril para as máquinas caríssimas. É interessante ver na praia, uns senhores com uns objectos esquisitos nas mãos, apontando a tudo numa curiosidade condescendente: os pobrezinhos são tão engraçadinhos! Essa aparelhagem custa, por vezes, mais de um ano de trabalho de muito azeiteiro ali em pose: trolhas, rurais, empregadas fabris e demais especializadas actividades de muita labuta e pouco ganho. E aquela "estrumeira de corpos" como dizia Miguel Torga, mais não é que os restos de um povo que dentro em breve deixará de vir aqui e andará deambulando idiotamente por centros comerciais, empanturrados de hambúrgueres, muito mais civilizados, muito mais update mas tristemente assépticos.
Carago, aquela gente vive!

sexta-feira, outubro 14, 2005



Vilobaldo. Vê se isso é nome de gente!!


Era. Gente boa! Na época, cortavam-se cabelos de crianças a reco, parecendo os de cadetes das forças armadas. Uma vez a cada dois meses, dona Cy (a progenitora) vinha de lá pra cá, arrumada, cheirosa e bela como sempre foi, pra me levar lá pra rua Maruim, de Kombi, ao “salão” do barbeiro. Eu não entendia por que “salão”: tratava-se duma salinha, com duas cadeiras que funestamente me lembravam as de dentistas.

“Tome banho, menino, vamos pra seu Vilobaldo!”. Eu, que não gostava nem de banho nem de barbeiro, ia contrariadíssimo seguir as ordens maternas. Nesse tempo, não havia a máquina elétrica. Era um repuxar irritante, e depois ainda tinha a desgraça da navalha nos pêlos do pescoço, o que me causava uma ansiedade tão miserável que não raro seu Vilobaldo me cortava sem querer. E aí tinha o álcool “pra estancar o sangue”. Ardia um horror. Depois, o talco a escova e um espetar nas roupas que me obrigava a tomar outro banho na volta. Foi assim durante anos, em toda a minha infância.

Mas os anos não passam por acaso, e comecei a prestar atenção à diferença que havia nas conversas, nas vezes em que minha mãe esperava acabar o corte, e naquelas em que ela saía para fazer compras em lojas próximas. Confesso: era muito mais interessante quando ela saía. As gargalhadas eram mais fortes e puras, os assuntos eram outros. E sem ela, eu podia fazer perguntas, sem que ouvisse, “fique quieto, menino, deixe seu Vilobaldo acabar”. Aliás, os cortes estavam acabando desde que começavam. Era um festival de “ele tá acabando” e “eu tô acabando” enquanto eu bufava de impaciência no inquisidor tronaço.

E seu Vilobaldo, com aquela paciência que a natureza dá a poucos, me aturava sempre sorridente, sempre feliz, sempre solícito, até o dia em que tomei conta da cara e nunca mais cortei cabelos com ninguém. Os apetrechos foram mudando, o “salão” começou a virar salão, os preços subiram, seu Vilobaldo ficou velho e nem mais sei o que é feito dele.

Esta é a segunda foto nesta semana que me leva ao passado. E é por conta dessas viagens que tenho feito com o talento alheio que amo a fotografia. Nunca julguei que fosse sentir saudades de seu Vilobaldo...

Obrigado, Carlos

do meu brode eterno, Newman.

quinta-feira, outubro 13, 2005

A saudade é uma coisa entranhada, indizível. E os tempos de escola, da inocência intacta, ficam gravados a estilete indelével, lá bem no fundo da memória. Cem ganapos, cada um mais ranhoso que o outro somando dias sem história, maceravam as feridas do aprender diário numa rotina de nascer do sol
-um vez um, um, dois vezes um, dois....
numa melopeia de anestesia. Era prefeito daquilo tudo uma criatura diminuta num atarracado enérgico, irmãzinha discípula de S. Tomás de Aquino, de olhos ácidos dardejando sobre nós diminutivos sacanas
-coitadinho, pobrezinho, oraçãozinha...
e sovando com quotidiana eficiência e método ancestral, num desvelo inquebrável, a reguadas enérgicas e compenetradas as nossas mãos resignadas. A régua regulamentar estava já suja nas pontas em razão do nosso nervosismo suado e da secura da freira torquemada. E o Tozé, o bufo oficial sempre de olho aguçado, acolitava-a eufórico, prosélito, num ardor pidesco, espreitando, denunciando , relatando os nossos desmandos pueris. Dizem-me que ainda hoje o filho do fuinha segue os passos paternos para não desmerecer na hereditariedade e no exemplo. Os pais agradeciam fervorosamente a pancadaria pedagógica que lhes poupava esforço e tempo. Caucionava essa atitude educativa
-é para o vosso bem
de reguadas metódicas, com Deus, o pedagogo referência. Inferno e céu eram lugares prometidos e assegurados para os nossos merecimentos. Com esses dois destinos inapeláveis nos instigava as rezas e devoções para prémio ou castigo. Industriava-nos no sentido de que cada um de nós tinha a sorte de ter sempre ao seu lado direito um anjo benfazejo, Custódio de seu nome, e no lado esquerdo, omnipresente e insidioso, o diabo tentador e sinistro dando pois razão à analogia da palavra. E se o dito anjo alijava responsabilidades ou descurava atenção por interferência do também dito mafarrico, logo a freirinha tomava por sua conta a tarefa de remedeio para nossos pecados veniais. Sim, porque para os mortais, como o nome indica, estava reservado com zelo diabólico, o caloroso inferno. O terror católico, apostólico e romano era método infalível no desmotivar de espírito mais rebelde e remédio para as nossas permanentes tentações e pecados. Das primeiras não nego algumas e dos segundos espero relatório do juízo final que sempre nos era apontado como coroa desta vida na terra. Para suprema ironia ostentava o nome de Irmã Benigna, para nós, a “ratica”. Com violência amável em ginástica de bíceps contraídos, cada erro ortográfico cada palmatoada, numa didáctica eficiente para mãos resignadas e aquecidas, em espíritos tolhidos
-quem dá o pão dá a educação
e a assim era de facto já que, por misericórdia humana e divina, lá engolíamos um líquido esverdeado, fumegante, de caldeirão de druida, cristianamente construído com talos de couve num boiar repulsivo e um bocado de broa encortiçada. A toque de sineta, tudo funcionava a badalo, esporeados sempre pela voz impositiva, dedicada e convicta da ratica, dispostos em duas filas indianas num regimento pueril, espreitávamos os pratos de metal alinhados. Éramos antes presenteados com uma colher de óleo de fígado de bacalhau, gorduroso e nauseabundo que provocava a todos, desde as entranhas causticadas, vómitos em arranques de vulcão. Um dia o Pipas escapou, não se lembra ninguém por que artes e desígnios, à administração vitamínica e foi, até hoje e com suma justiça, considerado um herói. Os meninos com direito a diminutivo iam almoçar a casa porque, à uma, não gostavam da caridosa mistela e depois, tinham lá o que comer, privilégio algo raro nesses tempos.
Mas brincávamos: à rolha, à mosca, ao berlinde, ao pião dos mais abonados em disputas de uma euforia vigiada. Quando pela tardinha, numa revoada de pardais, debandávamos da freirática Auschwitz, a catarse fazia-se à pedrada, numa chuva de calhaus, conforme a proveniência e destino de cada grupo:os da Lomba de Égua, os do Moimento, os da Fazarga, os da Moita e qualquer cabeça partida era trofeu bastante para justificar no dia seguinte nova batalha pela honra e pelo desfiar de razões inexistentes. Em casa esperava o desvelo materno num honesto arroz de tomate, colorido com um ovo estrelado, completando dias longos e cheios.
E era tudo tão verdade.


O MADEIRAS

Qualquer turma é um microcosmos misterioso e dificilmente previsível. E o seu lugar mágico é a sala de aulas. Há–as de todos os géneros: indisciplinadas, sisudas, eufóricas, distraídas e é num contínuo jogo de sedução e desafio que se desenrola uma aula. A turma de Electrónica, uma dúzia de alunos de proveniência áspera e popular, dormitava assumidamente sobre referências literárias
-O Romantismo é uma época literária...
ou não fosse o Soneca uma das figuras proeminentes, até porque jamais se lhe ouvia a voz. O romantismo deles estava na sala ao lado, na figura da Susana, mocetona de seios fartos e generosos, sorriso sempre afivelado, causa e consequência de suspiros malandros e musa inacessível deles todos, porque nenhum havia sido presto e eficiente na difícil arte do engate. A modorra era previsivelmente quebrada quando da análise de “Os cinco sentidos” de um tal Garrett, Romântico segundo consta, que lhes acordava os ditos, todos, antecipando eu naquele breve e febril entusiasmo analítico, a suspirada compleição da Susaninha, a musa partilhada. Para acalmar tanto entusiasmo inconsequente, sim que a cachopa a todos sorria mas só ao Gazómetro ofertava aquilo que aos outros insinuava, nada como uma breve dissertação
-Quero dez linhas sobre o tema da Natureza
sobre temática banal sabendo eu que, de tais temas, sempre saem colheitas sem história. E corrigindo os textos ensonados, de ortografia inventiva e sintaxe ébria, se ia moendo o tempo. “Oh que prazer andar pela floresta queimada e cheirar o doce cheiro dos pinheiros queimados que alegria sentir tudo preto em carvão
-Ricardo, o que é isto?
com as árvores sem folhas”... E por aí adiante, numa poética de laracha, e numa fúria e consolo incendiáros que nem todas as corporações dos soldados da paz poderiam, alguma vez, aplacar. Estranha abordagem mas curiosa pelo diferente, pelo arrojo, pela criatividade, pela dissonância,
-O pai dele é madeireiro
pela franqueza do Madeiras. Nada como honrar a alcunha e justificá-la com propriedade de interesse e profissão que, de facto, hoje exerce com desvelo bem industrioso. E quando todos os anos, eles já homens finalizados, nos juntamos na Churrascaria Preciosa, esta e outras histórias ocultas e bem mais condimentadas sempre vêem à liça numa conivência que só me honra e rejuvenesce.
Presta-se culto ao Tempo, o construtor das memórias.

quarta-feira, outubro 12, 2005



REDAÇÃO DOS NAMORADOS

O namoro é uma coisa muito importante para as pessoas se conhecerem se gostam uma doutra ou
não. As pessoas encontram-se e às vezes há uma espécie de amor à primeira vista mas isso pode ser apenas impressão que o namoro pode esclarecer se é mesmo amor ou amizade só. Namorar é muito bom pois as pessoas conversam e às vêzes começam a dar beijos e até fazem sexo o que pode ser mau mas também pode ser bom porque ser virgem até ao casamento é uma coisa muito linda e há doutrinas que tem de ser seguida. Há casos também de fim de namoro onde as pessoas recordam o sexo e isso é muito mau derivado aos sentimentos que ficam tristes. Mas deixe-mos as coisas de corpo para falar de coisas dos sentimentos. Os namorados são pessoas muito giras pois olham uns para os outros de maneiras muito giras com sorrisos engraçados que até parecem um pouco tontos, e dão as mãos e às vezes metem as mãos mas não era isto que eu queria dizer. O namoro é a maneira mais bonita de ser amigo pois dá-se presentes e flores e às vezes esquecem-se e as namoradas ficam amuadas e depois não há carinhosos o que pode acabar namoros. Os namoros de hoje são muito diferentes derivado os jovens só andam com uns com outros mas antigamente os namoros eram às escondidas e também faziam coisas menos bonitas atraz de sítios escondidos, o que era mau e haviam muitas grávidas por causa de não terem educação de sexo e daquelas borrachas que se vendem nas farmácias e até nos supermercados que dantes não haviam. É por causa disto que os namoros de dias de hoje são diferentes e se calhar menos bonitos porque já não há cartas de amor e só telemóveis que é uma coisa mais prática, mas não é tão amorosa nas palavras e, as palavras é que fazem um namoro bonito assim como os sorrisos


O SORVETEIRO

Deu-se o caso da criação de um grupo coral, coisa inusitada, que naqueles tempos tinha potencialidades que não poderiam ser desperdiçadas. Sempre seria pretexto para ajuntamentos fora das aulas e, sobretudo aos de Ciências, a possibilidade de contactos femininos que a eles estavam mais arredios por nunca explicada vocação estudantil, que nós, nas Letras, estávamos bem melhor abonados. Eis como cantorias forneciam perspectivas imperdíveis e todas as oportunidades eram curtas para colorir existências com a companhia graciosa do agrupamento feminino, muito de nossa natural inclinação e, felizmente, correspondida. Não que fossemos particularmente dotados mas espírito lúdico era coisa que não faltava e bastamente fazia falir a meio o difícil decurso do escasso fraseado cantável por momices e desafinanços facilmente propositados. E no meio das cantorias, mais berradas e desafinadas que convictas, lá se ia namoriscando, trocando olhares mais quentes, combinando outro tipo de encontros, insinuando o desejado, recebendo possíveis promessas do pretendido, entre outros atrevimentos saudáveis e bondosos cujos sucessos não será de todo conveniente especificar. A nós calhava a parte cimeira da disposição coralística pelo que bem podíamos apreciar as delícias das visões femininas e a imaginação não conhecia limites ou prazos para tal anseio. Fora ainda acenada, como isco, a possibilidade de viagens e canoras exibições noutras paragens, o que a todos muito interessava pelo inóspito das mesmas, e oportunidades de aventuras bem mais sumarentas.
O maestro havia sido encomendado de fora, para mais estilo e respeitabilidade, mas pouca gravidade de porte vinha acrescentar àquele amontoado de sonoridade harmónica improvável pois o ex cantor lírico vinha ilustrado de ademanes suspeitos em gestos e tiques de outra condição, teatrais, delirantemente contorcidos. Mas ficámos mais descansados: sempre seria menos um a competir connosco na demanda feminil e só havia a temer que ele fosse engraçar com algum de nós, para gozo supremo das nossas companheiras de desafinação e embaraçante desconforto do contemplado. E como os tempos eram na altura, felizmente, politicamente incorrectos gozávamos à brava com a figura, nós e elas, porque menos acostumados todos à presença dessa terceira versão do ser humano.
Ora, como para toda a preparação tem de haver consequência, chegou de supetão o primeiro espectáculo. Na plateia repleta assistiam, numa expectativa de divertimento curioso, os amigos, os apoiantes, os desconfiados, bem como os invejosos ou despeitados por não estar ali connosco, mas ainda assim, uma fauna interessada e solidária. O maestro apareceu de casaco branco, operático, insuflado de orgulho, em poses de artista ostensivo sorrindo em desmesura vaidosa, e logo a alcunha pegou de estaca: o sorveteiro. Quatro temas berrados com toda a alma e um sucesso inaudito. Os aplausos soavam muito para lá do recomendado pela qualidade da função e já fazíamos menção de nos retirar. Mas, como a malta não arredava pé e berrava por mais num fôlego infindo, o sorveteiro decidiu obsequiar a audiência, bem mais entusiasmada que nós, com a repetida dose das quatro únicas cançonetas pretensamente ensaiadas. E logo na primeira, quando assestávamos a plenos pulmões, em berraria lancinante, uns compassos do Va pensiero, não é que num fragor medonho e histericamente gargalhado, aluiu toda a ala dos tenores num amontoado de corpos e escadinhas de madeira, ou porque a estrutura fosse frágil ou porque o entusiasmo da nossa gritaria fosse pesado demais para a dita .
Aí sim o espectáculo foi completo e, ainda hoje, o desabamento desse sector é recordado com ressonâncias pícaras que a mim sempre soaram mais épicas.
REDAÇÃO SOBRE O AMOR


Há muitas espécies de amor como o de pai o de pátria o amor de denheiro mas o amor que quase
que as pessoas mais gostam de fazer, ou algumas apenas de falar se não podem fazer, é o amor do sexo. É muito importante neste amor, os sentimentos, pois o amor de sexo deve ter sentimentos tambem, pois há pessoas que praticam esse sexo e depois nem preguntam à pessoa se foi bom para ti. Parece-me mal pois acho que todos gosta-mos que seja bom ou então deve ser muito frustrante, assim como aqueles que têm o pénes pequeno e estão procupados ou têm as mamas pequenas e tambem estão procupadas derivado a essas coisas serem importantes mas no fundo até nem são pois o amor de sexo, pode fazer-se bem mesmo com coisas dessas mais pequenas. Há muitas maneiras de fazer o sexo de amor mas isso é muito complicado de explicar pois até há livros que explicam e doenças que são perigosas porque até o joaoluc disse que o putedo era tambem deste género mas ele devia lembrar-se que esta atividade é muito importante que até vem do Brasil muitas mulheres especialistas. Tenho de dizer que no amor de sexo, é muito importante o corpo assim como a cabeça que também faz parte do corpo pois a cabeça comanda todo o corpo mas às vezes perde-se a cabeça e estraga-se o corpo no adultério ou fazendo sexo sozinho, e isso é uma coisa que estão sempre a falar mas não parece muito bem pois sozinho não há sentimentos como eu disse atrás. Como este assunto é muito grande não vou dizer mais agora para ficarem outras coisas para dizer, e posso explicar aqueles que não souberem só preciso que me preguntem aquilo que não souberem sobre amor de sexo que eu explico.

terça-feira, outubro 11, 2005

PARA OS MEUS AMIGOS

Redação sobre a amizade
A amizade é uma coisa muito importante para as pessoas para serem felizes. As pessoas que têm muitos amigos são muito felizes derivado a estarem sempre acompanhadas e rirem muito com as coisas que os seus amigos dizem. Os nossos amigos nunca dizem mal de nós e só dizem bem e coisas que nós gosta-mos de ouvir mas há quem diga que assim eles não dizem de que o que pensam mas isso não importa pois o que nós gosta-mos de ouvir é que é importante e dá felicidades. É por exemplo uma fotografia que nós tira-mos e gosta-mos muito e os amigos não criticam a fotografia para não ficar-mos tristes e dizem que está bem e até dão abraços ou falam de coisas que não estão na fotografia. Pode-mos sempre contar com os nossos amigos pois os amigos estão sempre à espera de nós para lhes fazer-mos favores e coisas parecidas que são muito importantes. Quem não tem amigos é uma pessoa triste que tem que fazer tudo sozinho e não gasta as suas coisas de volta com os amigos também o que é uma coisa muito chata. Os amigos estão sempre bemdispostos conosco e até emprestam dinheiro às vezes e numa certa quantidade pois é isso que dá o grau de amizade e às vezes até emprestam máquinas fotográficas. Os amigos também podem ser amigas mas isso é mais complicado pois às vezes pensam de que há coisas de sexo entre essas pessoas e a amizade pode piorar por causa das más línguas ou pessoas invejosas que não gostam de ver amizades entre amigos e amigas. Quando esta-mos doentes os amigos também são importantes pois perguntam se esta-mos melhores mas não vem cá a casa pois é incomudar muito e chatear demasiado com a visita. Há muitas coisa para dizer mais sobre a amizade mas os verdadeiros amigos não dizem muitas coisas para não serem muito chatos e assim como sou amigo de todos não digo mais coisas para ser.